Fazer uma maratona de sexo pode salvar o casamento?

"Maratona pode tornar o sexo um desafio e ajudar o casal a se reaproximar", afirma a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade do HC

"Maratona pode tornar o sexo um desafio e ajudar o casal a se reaproximar", afirma a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade do HC

O jornalista Douglas Brown tinha um casamento feliz e sua mulher, Annie, era atraente e divertida. Mas, depois de mais de uma década de convivência, as obrigações do dia-a-dia, os cuidados com os filhos e os apertos financeiros acabaram por esfriar o sexo e deixá-lo em segundo plano na relação. Para tentar resgatar o espírito da lua-de-mel, Annie fez uma proposta: “Vamos fazer uma maratona sexual?”

Doug aceitou o desafio e descreveu com humor e detalhes picantes a tentativa do casal de fazer sexo ao menos uma vez por dia durante 100 dias consecutivos – e sem desculpas. O diário bem-humorado e com detalhes picantes gerou o livro Just do It, que será lançado em português em setembro pela Editora Prumo.

Nessa jornada sexual, Brown experimentou Viagra e, junto com sua mulher, passou por quartos de motéis, recorreu a lingeries sexy e até mesmo foi a uma convenção da indústria pornográfica. Tudo isso enquanto o casal enfrentava crises familiares e tentava cuidar de duas filhas pequenas em sua casa, em um subúrbio de Denver, nos Estados Unidos. Em entrevista a ÉPOCA, o jornalista conta como ele e a mulher desligaram a TV e encararam os 101 dias de sexo.

A idéia da maratona de sexo veio de sua esposa. Como você reagiu à proposta dela?
Douglas Brown – Quando ela fez a proposta, a minha primeira reação foi ficar bem feliz com isso, afinal, quem não ficaria? Depois eu comecei a pensar e concluí que não seria fácil, pois trabalhamos muito e temos filhas pequenas, que nos deixam exaustos. Mas achei que seria uma ótima idéia, um experimento divertido saber o que aconteceria se realmente fizéssemos sexo por 100 dias.

Não houve um dia em que vocês estivessem cansados demais para fazer sexo, ou apenas sem vontade?
Brown –
Em alguns momentos sentimos isso, mas estávamos comprometidos com a maratona. O pior momento foi um dia em que eu estava muito doente. Tive um episódio de labirintite, tudo parecia girar e passei tão mal que fui parar no hospital. Quando voltei para casa naquela noite, foi muito difícil. Consegui fazer sexo, mas não dos melhores! (risos)

O que vocês fizeram para melhorar a qualidade do sexo?
Brown –
Tentamos posições diferentes diversas vezes, experimentamos alguns brinquedos eróticos, e variamos muito os lugares. Fizemos no topo de uma montanha no Colorado, em um quarto de hotel em Las Vegas, um motel e em uma tenda no meio da neve. Realmente nos esforçamos para que fosse divertido.
Vocês tinham algum problema mais profundo que a rotina antes do experimento?
Brown –
Não éramos infelizes e fazíamos sexo, em média, uma vez por semana, sempre nos finais de semana. Era um bom casamento, mas estávamos tão cansados que, durante a semana, após o trabalho, não tínhamos mais energia para o sexo, havíamos desistido dessa idéia. Com essa experiência, percebemos muitas coisas. Primeiro, que precisamos fazer mais sexo! O sexo é importante em um relacionamento e, se um casal deixa o sexo em segundo plano, acaba virando somente um par de pessoas que divide o mesmo quarto. E isso qualquer um pode ter, mas um grande amor só acontece uma vez. Antes do experimento, chegávamos em casa, cozinhávamos, comíamos, lavávamos a louça, púnhamos as crianças para dormir e, então, íamos para a cama, onde passávamos umas duas horas lendo ou vendo TV. Durante estes 100 dias, o tempo na cama mudou. Continuávamos muito cansados, mas levamos o sexo a sério! A gente não ia para a cama com mau hálito! Ambos tomávamos banho, a Annie vestia uma bonita lingerie, eu vestia um pijama bacana, acendíamos velas, conversávamos. Desse modo entrávamos no clima, e não nos sentíamos mais cansados. Então, era fácil fazer sexo.
Vocês contaram sobre a maratona para as suas famílias? Como as pessoas reagiram à idéia?
Brown – O meu pai é um homem muito machão, então, quando eu disse “pai, vou fazer sexo por 100 dias”, ele respondeu “esse é o meu garoto!”. Ele ficou muito orgulhoso de mim e contou para todos os amigos. Foi mais fácil para mim porque, para um homem, fazer muito sexo é sempre um sinal de masculinidade. Por outro lado, uma mulher fazer muito sexo nem sempre é um sinal de feminilidade. Com a família da Annie, foi mais complicado. Ela demorou um bom tempo para contar aos seus pais e, no final, não teve coragem de contar pessoalmente. Acabou enviando um e-mail. Mas eles reagiram bem.
Quando você decidiu escrever o livro?
Brown –
Quando começamos a experiência, pensamos que, se chegássemos ao final e não quiséssemos nem mais nos tocar, não daria um bom livro. Mas se, no final, o sexo e a relação tivessem melhorado, talvez fosse uma história interessante de se contar. Então a Annie e eu fizemos muitas anotações durante a maratona, e assim que acabamos, comecei a escrever o livro.
Depois da maratona, vocês ficaram muito tempo sem fazer sexo?
Brown –
Na primeira semana, a Annie foi viajar com as crianças e minha família para a Disney. Quando ela voltou, decidimos que precisávamos de uma pausa. Ficamos umas três semanas sem fazer sexo. Hoje em dia fazemos duas ou três vezes por semana.
Se o plano era ter somente 100 dias de sexo, por que vocês tiveram 101?
Brown –
A idéia inicial era mesmo ter somente 100 dias, mas uma manhã um colega que trabalha comigo no jornal me disse: “Douguie, você deveria fazer um dia a mais para dar sorte”. Na hora eu só ri, mas sou muito supersticioso e, depois pensei: “Meu Deus, agora terei mesmo que fazer um dia a mais!”. Esqueci de comunicar isso à Annie. Então, no último dia, falei: “Querida, não te disse, mas faremos sexo também amanhã, para dar boa sorte”.
O seu relacionamento mudou depois da maratona?
Brown –
A nossa vida sexual melhorou muito porque agora sabemos do que realmente gostamos e nos sentimos muito mais à vontade. O sexo virou muito mais natural. Antes eu me sentia como se estivesse em um palco uma vez por semana e tivesse que fazer uma ótima performance. Sentia que tinha que inovar todas as vezes. Mas depois dos 101 dias, tudo ficou muito mais natural. A comunicação melhorou muito. Hoje em dia, ainda assistimos TV na cama. Mas conversamos muito mais do que antes. Também nos tocamos mais, nos abraçamos e andamos de mãos dadas. E temos mais sexo.
Você recomendaria essa experiência para outros casais?
Brown –
Com certeza, mas não diria que eles precisam fazer sexo por 100 dias porque isso seria ridículo. Afinal, ninguém tem que fazer isso. Mas eu recomendaria para qualquer casal que acha que caiu na rotina o comprometimento de fazer uma maratona de um mês, ou 10 dias, ou uma semana, ou mesmo de um final de semana prolongado! Isso ajuda qualquer relação. O importante é não só o sexo, mas o planejamento todo: comprar uma lingerie, arrumar o quarto, se livrar dos brinquedos das crianças ou da foto dos avós. Um quarto deve ser um santuário para adultos. Também é divertido comemorar o fato, abrir uma garrafa de champagne no início da maratona e celebrar o seu final com um jantar romântico.
Você tem filhas pequenas. Você pensa em contar a elas sobre essa experiência quando elas tiverem idade?
Brown –
Sexo é muito importante e um dia vou ter uma conversa séria sobre isso com elas, quando forem mais crescidas. A minha filha mais velha tem nove anos e sabe que escrevi um livro, mas acha que é sobre o quanto seus pais se amam. E não deixa de ser verdade. Ela terá mais detalhes quando for mais crescida, mas se não quiser ler o livro, vou entender.

“A maratona desafia o casal a voltar a gostar de sexo”
Para a psiquiatra Carmita Abdo, mesmo que, na cama, nem sempre quantidade seja sinônimo de qualidade, assumir o compromisso de transar com mais freqüência pode ajudar a reaproximar um casal

Fazer muito sexo ajudou o jornalista Douglas Brown e sua mulher, Annie, a apimentar seu casamento de mais de uma década. Eles assumiram o compromisso de transar por 101 dias consecutivos e Brown narrou suas experiências no livro Just do It, que poderia ser traduzido como “Apenas faça isso”, a ser lançado em setembro no Brasil. Mas sexo é sempre um termômetro para medir o envolvimento de um casal? Segundo Carmita Abdo, psiquiatra, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e fundadora e coordenadora do Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, quantidade não é sinônimo de qualidade na cama. “Não dá pra medir a qualidade sexual de um casal pela freqüência, mas sim pela satisfação que o casal tem quando realiza o ato”, afirma Carmita. “Logicamente que, quando a satisfação ocorre, há uma tendência de repetir. Se o sexo é frustrante, geralmente não há o desejo de repeti-lo”.

Mas isso não quer dizer que fazer uma maratona de sexo seja uma má idéia. De acordo com a professora, esse tipo de experiência pode ser uma forma de reaproximar o casal que se afastou. “Uma maratona sexual representa um desafio, que nada mais é do que voltar a um estágio em que o sexo era interessante por ser uma conquista”, diz Carmita Abdo. Antes de partir para um compromisso de fazer sexo por dias seguidos, porém, a psiquiatra recomenda que o casal identifique por que se afastou e se substituiu o prazer do sexo por outros, como viagens e hobbies, que acabam tornando cada vez mais frágil a intimidade que eles têm entre si.

Em geral, a principal razão para o declínio da atividade sexual entre os casais é a mudança de prioridades. “No início, o casal tinha um ao outro como prioridade. Com o passar do tempo, ocupa-se também com trabalho, filhos, cuidados da casa”, afirma. “A privacidade não é a mesma, não é possível usar a casa toda para fazer sexo nem é possível ter relações a qualquer momento”. Outro fator que influencia no declínio é o envelhecimento, que diminui a necessidade física por sexo. “A convivência, a rotina, o fato de não ser mais novidade ou um desafio roubam um pouco da motivação do casal”, afirma. “Por outro lado, ninguém agüenta uma maratona dessas por tempo indefinido. Depois dela, o casal deve buscar outras formas de manter o sexo atraente e interessante”, afirma.

Fonte: Época

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23 Respostas para “Fazer uma maratona de sexo pode salvar o casamento?”

  1. Jorge Nascimento Disse:

    Fazer amor com a mesma pessoa é renovar-se constantemente…
    O casal em foco fizeram o dever de casa… Transformar o que era rotina em prazer!

  2. Leticia Disse:

    Os dois só tiveram sucesso na ” empreitada ” porque já tinham um casamento feliz. Para um casal que tenha problemas maiores que rotina e já tenha se afastado demais fazer uma maratona, ou aumentar a frequência do ato sexual não trará melhora na relação, e pode mesmo aumentar a distância e a cobrança e gerar mais ressentimentos.

  3. claudenice Disse:

    acho que a iniciativa desse casal deveria ser adotada por muitos outros casais, inclusive namorados, tipo, se seu namoro tá monótono, quebre a rotina e estabeleça vários e quantos locais diferentes o casal deve visitar ou escolher para namorar entre outras coisas. se tem uma coisa que leva a trição é a rotina do casal seja casado há anos ou não. valeu

  4. Keily Disse:

    Adorei a matéria. Realmente isso que eles fizeram foi maravilhoso. Recuperaram o prazer sexual dentro do casamento, sexo realmente é tudo de bom. Fantástico!!

  5. paulo Disse:

    Concordo com vc Jorge Nascimento e Leticia. No argumento da leticia, conta muinto da disponibilidade do casal se eles realmente estão querendo melhorar o relacionamento ou não. Se eles quizerem podem esquecer a magoa do passado e recomeçar. É dificil, porem, é, uma questão de escolha com responsabilidade. Fazendo uma retrospectiva e ver onde e qual momento se perdeu o amor, a confiança e recomeçar se possível.

  6. katia aguiar Disse:

    Linda, experimenta.

    BJS

    Kátia

  7. Humberto Cosentine Disse:

    Noooossssa!

  8. Vi por aí… e gostei! | Diva Diz Disse:

    [...] A pergunta que não quer calar: maratona de sexo pode salvar um casamento? Eu diria que depende do desempenho dos [...]

  9. Ana Paula Disse:

    Preciso muito de uma maratona de sexo! Tenho um bebê de 08 meses e minha intimidade com meu marido está muito abalada. Sempre estou cansada, acordo várias vezes a noite por conta do bebê, trabalho o dia todo e minha disposição para o sexo é mínima. Achei a atitude do casal americano corajosa e um ato de amor.

  10. Erica Disse:

    Parabéns! adorei a materia, realmente é necessário mudar a rotina do relacionamento!

  11. Juarez Targino Disse:

    Quando se tem amor, naõ precisa determinar nenhuma maratona, o sexo como complemento forte do amor, vai acontecendo naturalmente e sem cobranças nenhuma, respeitando o cansaço ou seja lá o que for. Não sou adepto de motel, por lá passa muitas pessoas e muitas prostitições. No hotel tudo bem há melhor qualificação. Sou muito bem casado e faço sexo com minha esposa pratcamente todos os dias, com muito amor e isso não cansa por temos muito amor pelo outro, pois o espirito é imaterial assim como a alma e o amor não importando posições ou local. AMAR eis a questão

  12. clarissa Disse:

    muitoooo bom, é essa experiencia acho que todos deveriam fazer.
    Adorei a materia. Agora depende dos casais.

  13. sandra Disse:

    Eu acho que sexo é fundamental em um casamento, mais sexo não é tudo claro que sem ele o casamento não sobrevive e eu digo isso com certeza mais tenque ter sempre carinho respeito e compreenção um pelo outro, os homens acham que as mulheres falam de mais, só que o ponto cahve de uma relação ficar 98% bem é a comunicação. esse é o meu ponto de vista.
    Sandra…

  14. jose rubens domingues filho Disse:

    Ótima matéria!
    http://www.tucanojovem.wordpress.com

    abraços.

    Zé Rubens

  15. celso Disse:

    Fazer sexo todos os dias com a mesma mulher deve ser uma tortura duvido que tenha algum casal que realmente consiga isso, depois de alguns anos de convivencia e com filhos e problemas. Mas se for com mulheres diferentes ou vice verça aposto que da certo.

  16. arquimedes Disse:

    Acho que todo casal deve ter uma vida sexual bem ativa, pois o sexo no casamento é muito importante pros dois, se temos tempo pra fazer todas as obrigações do dia-a-dia porque não tirarmos um tempo para “AMARMOS UM OA OUTRO” um casal não deve esquecer que o sexo é fundamental, e nos deixa mais dispostos.

  17. Arlene Disse:

    Li,e achei a materia muito interessante.

  18. del Disse:

    eu faria 201 vezes fazer amor é bom demais

  19. jacqueline Disse:

    Muito bacana essa iniciativa!!Fez com que o casal saisse da rotina e relembrasse os tempos de namoro que não devem ser esquecidos por causa de um casamento!!!!

  20. GIVALDO FERREIRA LIMA Disse:

    FAZER sexo, é muito bom quando duas pesssoas sem AMAM loucamente, como diz a musica EU NÃO QUERO FAZER AMOR POR FAZER, tudo na vida depende tanto de um como de outro, junta a idade do casal, as preocupações da vida os filhos não é facil meu

  21. rogerpiretti Disse:

    e seria bom

  22. Alcionny Disse:

    muito bommmmmm!!!!!!!!!

  23. Alcionny Disse:

    gostei muito dessa materia!!!!

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