Mulheres de políticos são interesseiras?

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Confesso que depois de assistir a cara de desconforto da esposa do governador de Nova York durante sua renúncia fiquei com vontade de escrever sobre a situação destas mulheres que se expõe em público durante os discursos de seus maridos políticos pegos com a boca na “botija”. Porém após ler este texto de Lya Luft achei melhor postar o texto dela na íntegra que matou a charada com a elegância que a caracteriza.

Nada país tem seus espantalhos. Aqui, figurões se esbaldam contratando bailarinas com cartões pagos por nós, os trouxas. Simples assim. Nos Estados Unidos, flagrados em algo imoral (para eles), batem no peito em público, com a “santa esposa” ao lado. Por que essas mulheres reprimem a dor e a vergonha, apoiando o malandro diante de todos? Pressões políticas das quais não sabem se esquivar? Medo da solidão? Melhor infeliz, mas casada? Aí a gente fecha um olho e fica desgraçada para sempre? Casamento pode ser uma doença a dois.

“Minha mulher é uma santa”, dizem os puladores de cerca desde o tempo das cavernas. Essa figura da “santa” em casa é um mito a ser removido do nosso imaginário: quase sempre elas são acumuladoras de ressentimento e mágoa, que um dia, ou no dia-a-dia, se vingam até sem perceber. Com cobranças, com acusações, ridicularizando o maridão diante de outros, jogando os filhos contra ele. E, se um dia houver uma separação, pobre do moço: sobre ele serão lançadas todas as fúrias possíveis.

A mim essa figura constrange tanto quanto a “santa” mulher exposta à violação do privado pelo público diante do seu país, o que aparece especialmente nos Estados Unidos. Diante das câmeras sôfregas ou no segredo da casa, a mulher naturalmente perdoa, deve perdoar? Ainda é o que se espera dela? Consegue eventualmente perdoar e seguir a vida com esse parceiro, sem ressentimentos, corroendo a vida por baixo do tapete? E por que razões permanece com ele?

Há quem, sabendo-se traída, argumente curto e grosso: “Agora tenho sossego na cama”. “Eu me vingo gastando os tubos”, ou ainda: “É pelo bem dos filhos” (eles exigem o martírio materno). Mulheres que “perdoaram” o marido e continuaram com ele – a não ser quando há um recíproco e real desejo de refazer a relação – têm no olhar uma tristeza como de viuvez que não se apaga. E o parceiro, confiante na impunidade, já ocupado em novas aventuras, nem se dá conta disso, enquanto a mulher segue em frente, remoendo sabe-se lá que dúvidas, passando sabe-se lá que valores aos filhos, e que modelo às filhas. A mãe vítima é um peso do qual dificilmente hão de se livrar.

E quando esse drama vem a público, com mulheres firmes ao lado de quem enxovalhou amor, confiança e família, mas por apego a cargo ou poder bate no peito, assistimos talvez ao último degrau na descida ao inferno pessoal feminino. Todo o esforço para que em nossa cultura a mulher se valorize anulava-se no rosto devastado junto ao atrapalhado dom-juan americano, campeão de hipocrisia, que ganhou a imprensa semanas atrás: ele fazia do combate à prostituição sua bandeira, mas era freguês de caderno de um caríssimo clube de alegres moças. Nem o nome ele precisava dar: era o Cliente Número Nove.

Flagrado, pediu desculpas e prometeu se comportar, como o moleque que roubou maçãs do quintal da vizinha. “Minha mulher é uma santa”, há de dizer na roda de amigos. Mais um ser humano ferido de morte. Simples assim.

Fonte: VejaOnline


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15 Responses to Mulheres de políticos são interesseiras?

  1. Gisela Coelho Nascimento disse:

    Mulheres de políticos são interesseiras? Sim, senão não precisavam perdoar. Só que o interesse pode não ser só financeiro, pode ser emocional.

  2. Dionisio Stefani disse:

    É triste ler uma reportagem dessa ordem. O maior problema, seja de políticos,empresários,cidadãos comuns e das proprias mulheres é a hipocresia. Uns pelo fato do poder e outros(as), pelo desejo do conforto material, se superam em arranjar descuplas ou perdões pela falta de carater, responsabilidade e amor.

  3. Lili disse:

    Eu acredito ser financeiro e emocional. Por que outra razao ?!!!
    Deixar a mansao e o conforto por causa das escapadas dos idiotas com essa mulherzinhas que so servem pra isso mesmo.
    Muito bem escrita este texto.
    A esposa traida tem que se recompor da vergonha e do vexame, Ja que nao eh surpresa pra ninguem.
    O novo subistituto ja nao lavou a roupa em publico pra nao dar o gostinho para os abutres de plantao ?
    A vingaca vem mais cedo ou mais tarde, fria e cruel.

  4. heloísa disse:

    É esses fatos que perpassam os diferentes tecidos sociais, apesar do “trato” diferenciado em cada estrato. No caso posto das mulheres dos políticos é apenas uma ponta do iceberg das mulheres no cenário sócio-econômico e político.
    Deve-se mínimamente obervar a maioria das mulheres que detêm o poder no quadro dos Estados,as mesmas são verdadeiros simulacros do poder machista e longe de serem santas, elas fizeram uma opção, sobretudo, idelógica de tal comportamento.

  5. Martaxa Relaxa e G. Suplicy disse:

    No meu caso quem é interesseiro é o meu marido.

    Martaxa

  6. Mercês Guimarães disse:

    As mulheres de políticos são interesseiras sim. Mulher nenhuma, rica ou pobre, culta ou ignorante, gosta de ser passada prá trás. Todas elas que foram expostas publicamente por conta das infidelidades de seus maridos ficaram arrasadas, mas, prá não perderem a mordomia e o status botaram a cara na mídia para salvar a pele dos hipócritas.
    O certo é que ainda não sabemos ou não queremos saber o valor que temos. Não existe “mulher santa” e sim idiota para suportar uma humilhação desta. Queria ver se fosse o contrário.

  7. LU disse:

    Sim,elas perdem a pose mas,a majestade jamais.

  8. Adriana disse:

    Claro, elas ficam por interesse, quem sabe ? Tem que olhar toda a situaçao para depois divorciar primeiro : O marido faz o ganha pao ,ela se separa a mesada ja era vai tem que fazer por ela mesma ,segundo depois de muitos anos de casada alguns casamento viram tao familiar o casal vira mais irmaos do que marido e mulher.
    Terceiro o interesse do bens que adquiriram juntos no casamento, Ah ! tem muitas razoes p/nao se separar .
    Uma traida ? O que e uma traidinha se um maridao que bancas viajens ,mesada ,conforto nao precisa as madame nao precisa trabalhar.
    Qual e o pior um marido que da tudo ,mas te trai ? Um marido pobre tem amor nao te trai mas que nao tem dinheiro p/te bancar ?

  9. ida disse:

    È claro que são,é triste ver uma pessoa se anulando em troca de valores que são passageiros.

  10. acho que existira té pode generalizar ja é um erro

  11. jose carlos voltarelli disse:

    Infelizmente há que se constatar que não existe nenhuma mulher casada e que tenha dignidade com independencia.Nenhuma vai abrir mão de seu conforto pessoal e deixar de perdoar o seu marido é tão obvio que quem manda é o ter e não o ser. Hoje infelizmente ninguem é só é quem tem. Coloque a questão no voce decide da globo e todos nós veremos não existe mulher que rompa com o marido por causa da dignidade mas sim só pelo conforto (economico) é claro.

  12. Teresa disse:

    As palavras de Lya Luft nos fazem realmente pensar quão difícil é estar nesse lugar,refiro-me ao lado de um marido que se desculpa frente a um país e ao mundo todo ao lado de sua mulher. Ela própria expressa em seu rosto o espanto, a dor, e o não saber o que fazer com esta revelação indigesta. Essa mulher precisará de tempo e de um trabalho de escuta psíquica para “trabalhar” esse sofrimento, essa traição. No momento não nos cabe julgá-las se deveriam ou não estar ao lado do marido. Nesse momento refiro-me aos casos de Hillary Clinton, Veronica Calheiros e a mulher do governador de Nova York. Esses casos escabrosos , no entanto estão fazendo a gente pensar o que faríamos no lugar delas. Vejam como não é fácil saber…

  13. Sinto dizer que a escritora ou jornalista é tão moralista ou falso-moralista quanto a análise que faz. Alguém tem que dizer para ela que não há mais mocinhas e bandidos na vida. Que isso é uma fantasia infantil que ela ainda exprime, inconformada em crescer. Seres humamos hipócritas existem há muito tempo, sejam homens e mulheres. Por acaso, mulheres que se casam com homens poderosos fizeram a sua escolha, ou estariam ali, se não tivessem o ego tão inflado quanto os seus maridos? Não foram seduzidas pelo poder (e todas as suas “vantagens”) que eles fizeram a questão de transformar em valor supremo? Ou elas não interagem com a vida de seus maridos, estando numa bolha de pureza e inocência celestial? Estas mulheres não traem (ultimamente, com personal traines)? Ora, a questão aqui é espiritual e não de comportamento ou sexual. Gostaria, de fato, de ler um artigo que falasse de quanto estes valores mundanos, tolos, “ignorantes” sobre o Amor, produzem todo o tipo de miséria humana. O problema, como vejo, é que o ser humano precisa fazer do outro a causa única de sua felicidade, e transforma casamentos, em um painel de doenças co-dependentes, que escândalos como este, apenas exemplificam. Volto a insistir, a questão aqui não é sexual (feminismo ou machismos), mas de auto-estima, de auto-conhecimento, de saber ser feliz sem precisar se sujeitar ao outro. A questão é saber realmente que esta vida superficial que insistem em nos dizer que é a vida, como a jornalista analisa seguidamente em seus artigos, não passa de uma impossibilidade, de uma ilusão, que refrata a benção de tocar no coração do milagre que é viver!

  14. José CMF disse:

    Fico triste em ler alguns comentários das próprias mulheres em que perguntam se é melhor ter um marido que lhe traia mas que lhe banque. Essa expessão “que me banque” é tão pobre, mas tão pobre que é pior que se vc tivesse que comer cocô no esgoto ! Mulheres que pensam assim devem ser aquelas que são bem pobres mesmo, que vieram de família humilde e são tão complexadas que precisam de dinheiro para pensarem que são gente. Você não é gente por que tem dinheiro, e sim porque tem educação. Quantos novos ricos existem atualmente, gente que era serviçal, capial do meio do mato ou do campo e ganhou dinheiro e começou a frequentar bons restaurantes, bons lugares e não sabem nem segurar os talheres, seguram-nos como se fossem pedreiros de obras, falam alto, típico comportamento de gentinha. E o pior, são pobres de espírito. Exemplos assim são os jogadores de futebol, cantores sertanejos, filhos de fazendeiros, empregadas que ganharam na loteria, modelinhos medíocres que não tem classe nenhuma e que acham que estão abafando ou que são rainhas porque apareceram na TV, mulheres que não são atrizes e acham que o são após terem pousado peladas, participantes de reality shows, políticos capiais, radialistas e apresentadores de TV que hoje ganham dinheiro porque a sociedade ignorante lhes dá crédito perante os meios de comunicação. Onde está aquela boa e velha sociedade educada, que tinha berço ? É bem provável que seja por interesse. Simplesmente lamento isso, pois só algumas mulheres são mulheres de verdade, tem pulso firme, trabalham fora de casa dignamente (sem posar nua, sem fazer filmes pornô – não adianta, isso é coisa de vagabunda!), cuidam dos filhos, crescem na carreira, ajudam aos maridos e os chutam se pisam na bola, essa são as Mulheres mesmo ! Essas é que tem que se multiplicar ! Mulheres reais, mostrem sua força ! Essas mulheres idôneas de verdade já nos venceram (homens) há muito tempo e continuam nos deixando para trás ! Eu quero o mundo dos bons costumes e das boas maneiras de volta !

  15. Hilma disse:

    Concordo com o José CMF, pois já passei por isso, sou esposa de político, fui traida, apesar disso não ter vindo a público e perdoei. Perdoei porque amo meu marido e ele prometeu se comportar e está cumprindo, pois se assim não for ele sabe que tenho a coragem de dar um chute na bunda dele e ir com meus filhos viver a minha vida, sei que vou sofrer apesar de não sermos ricos não quero nem pensão dele, não quero nada. Creio que não vale a pena viver ao lado de uma pessoa da qual vc não compartilha confiança e respeito. Amarei ele para sempre, nunca o prejudicarei por isso, mas simplesmente não aceito viver ao lado de alguém que não me inspira confiança.

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