A tristeza é necessária

Parece injusto dizer a quem sofre que isso vai passar logo ou que a dor é pequena se comparada a outros sofrimentos do mundo. Mas é o que a sociedade atual está fazendo – num simples comentário ou com o aumento do consumo de antidepressivos. Uma revisão médica sobre essa conduta de tratamento, no entanto, está provando que negar a tristeza não faz ninguém mais feliz. Ela é tão necessária quanto o amor e o prazer para nos guiar na vida.Em um conhecido poema, o inglês W. H. Auden (1907-1973) define o período posterior à Segunda Guerra Mundial como a “era da ansiedade”. Para o poeta, o sentimento surgia como uma reação natural à tensão provocada pelo horror dos campos de concentração e pela ameaça dos mísseis e da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética. Se vivo fosse, em seus versos Auden provavelmente definiria nosso incipiente século como a “era da depressão”. As duas caracterizações, no entanto, apresentariam uma diferença crucial. Enquanto a “era da ansiedade” representava uma resposta natural a circunstâncias sociais que exigiam soluções políticas e coletivas, nossa “era da depressão” é vista como tempos anormais de tristeza, uma época de distúrbios psiquiátricos depressivos que requerem tratamento.
É o que afirmam os pesquisadores americanos Allan V. Horwitz, da Universidade de New Jersey, e Jerome C. Wakefield, da Universidade de Nova York, em seu recém-publicado livro The Loss of Sadness: How Psychiatry Transformed Normal Sorrow into Depressive Disorder (A Perda da Tristeza: como a Psiquiatria Transformou um Sofrimento Normal em Distúrbio Depressivo, ed. Oxford University Press). Os autores acusam a psiquiatria contemporânea de confundir o sentimento normal de tristeza do ser humano com distúrbios depressivos porque ignora a relação dos sintomas com o contexto no qual emergem. Um de seus alvos é a bíblia dos médicos para o diagnóstico da depressão, o Manual de Diagnóstico para Distúrbios Mentais (DSM), da Associação Americana de Psiquiatria, que classificam de equivocado e defasado.

Há pessoas que estão normalmente tristes e outras que sofrem de depressão. Mas, para Horwitz e Wakefield, as que vivem momentos de tristeza são, de maneira crescente, diagnosticadas como depressivas. Uma confusão com conseqüências para psiquiatras e seus pacientes, mas também para a sociedade.
“Estudos na Nova Zelândia, nos Estados Unidos e na Suécia revelaram que, aos 26 anos, 44% da população teria vivido uma experiência de depressão. Impossível todos esses casos serem genuínos”, disse Jerome Wakefield a Bons Fluidos. O que acontece é que a tristeza perdeu o direito de existir. “Necessitamos da tristeza assim como da felicidade. Da dor e do prazer para nos guiarmos na vida e sabermos o que é bom e nocivo”, diz Wakefield.

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Em um artigo intitulado Dêem Prozac para Esse Homem, o jornal The New York Times conta que o diretor de uma recente encenação de A Morte de um Caixeiro Viajante, do dramaturgo americano Arthur Miller (1915-2005), decidiu enviar o roteiro da peça para dois psiquiatras examinarem. O dois mé dicos diagnosticaram distúrbio depressivo no personagem principal da história, Willy Loman. Na época, Arthur Miller protestou: “Willy Loman não é um depressivo. Ele é oprimido pela vida. Há razões sociais para o fato de ele estar assim”. A resposta dos psiquiatras é exemplar para o nosso tempo, como era o sentimento de Loman para a sua época. O que antes nossa cultura via como uma reação à falta de esperança e a fracassadas aspirações, hoje enxerga como uma doença psiquiátrica, denunciam Horwitz e Wakefield.

Fonte: Abril.com / Revista Bons Fluídos

One Response to A tristeza é necessária

  1. Sempre encontro assuntos interessantes parabéns pelas postagens.

    POR QUE AS PESSOAS CORREM DA FELICIDADE?

    Paz, alegria, felicidade, anseios inatos, três tesouros que a gente procura a vida inteira, sofregadamente.

    O próprio Deus nos quer alegres, sorridentes, pacíficos, irradiando luz, entusiasmados. Transmitindo simpatia e cordialidade.
    Porém tenho observado em meu consultório, que o comportamento das pessoas tem um padrão muito curioso.
    Parecem que boicotam sua própria felicidade ou até seus momentos felizes. Vivem enganando a si próprio.

    Como assim?
    As pessoas acham que não podem ser felizes, ou até mesmo têm medo de ser. Por que será que elas têm medo da felicidade?
    Tem uma história que diz que para estas pessoas, felicidade significa mudar uma série de hábitos e perder sua própria identidade.
    Muitas vezes nos julgamos indignos das coisas boas que acontecem conosco. Não aceitamos – porque aceitá-las nos dá a sensação de que estamos devendo alguma coisa a Deus.

    Pensamos: “É melhor não provar o cálice da alegria porque, quando este nos faltar, iremos sofrer muito”. Por medo de diminuir, deixamos de crescer, por medo de chorar, deixamos de sorrir.

    “A humanidade é infeliz por ter feito do trabalho um sacrifício e do amor um pecado”.
    Este é um pensamento de conclusão ou de reflexão?
    Se as pessoas correm da felicidade, de quem é a culpa?
    Podemos não aceitar ou admitir, mas devemos respeitar.
    Pois vivemos voltados apenas para nós, ignorando e olhando para os outros com total desinteresse.
    Em um confessionário, um senhor desabafou:

    – Padre, moro há dez anos em São Paulo, caminhando pelas ruas, sinto-me sempre um pouco fantasma…
    Vejo todo mundo, mas parece que ninguém vê a mim.
    Observo tudo, mas não faço parte do nada… De qual lado estamos nessa história?
    A conclusão é simples. “Se queremos multiplicar a nossa felicidade, devemos dividi-la”.
    Como é fácil ser difícil. Basta ficar longe dos outros e, desta maneira, não vamos sofrer nunca. Não vamos correr os risco do amor, das decepções, dos sonhos frustrados.
    Como é fácil ser difícil. Não precisamos nos preocupar com telefonemas que precisam ser dados, com pessoas que pedem nossa ajuda, com a caridade que é necessária fazer.
    Como é fácil ser difícil. Basta fingir que estamos numa torre de marfim, que jamais derramaremos uma lágrima.
    Basta passar o resto de nossa existência representando um papel.
    Como é fácil ser difícil. Basta abrir mão do que existe de melhor na vida.
    O amor … José Ricardo Borrás (Terapeuta Corporal)

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