Brasileiros se reconhecem negros. Será resultado da política de cotas?


Se você costuma freqüentar restaurantes chiques de grandes cidades brasileiras, já deve ter notado: não há sobre as toalhas das mesas cotovelos negros. A clientela negra é escassa, muito escassa, quase inexistente.

 

Quando for de novo a uma casa de repasto elegante, experimente fixar os olhos no plantel de garçons. Ganha uma refeição grátis quem conseguir divisar um empregado de cútis escura. Não há.

 

Estendendo-se a pesquisa visual às batidas policiais, a coisa muda de figura. Nesse tipo de diligência, aí sim, os negros são encontradiços.

 

Na hora de exigir a exibição de documentos, os policiais, mesmo os de cor achocolatada, costumam dar preferência aos patrícios de tez escura. Por vezes, humilham-nos.

 

Não é à toa que vigora no Brasil, país da mestiçagem, uma certa bagunça étnica. Há pretos que se consideram mulatos. Há mulatos que se proclamam brancos. E há brancos que juram não carregar nas veias nenhuma gota de sangue africano.

 

Pois bem. A situação parece estar mudando. Quem informa é o Ipea. O instituto de pesquisa que pende do organograma da presidência da República divulgou, na semana passada, um estudo alvissareiro.

 

Revela o seguinte: ainda em 2008, a quantidade de brasileiros negros vai superar a de patrícios brancos. Mais: até o ano da graça de 2010, os negros serão maioria absoluta no Brasil.

 

O estudo do Ipea escora-se em dados extraídos da Pnad, a pesquisa nacional de domicílios. É feita pelo IBGE. O instituto subdivide os brasileiros em cinco matizes: “pretos”, “pardos”, “brancos”, “amarelos” e “indígenas”.

 

Eis a grande notícia: cresce o número de entrevistados do IBGE que enxergam o “preto” e o “pardo” ao olhar no espelho. “As pessoas, hoje, estão se reconhecendo mais como negros”, festeja Mário Theodoro, diretor de Cooperação e Desenvolvimento do Ipea.

 

Em 1976, a Pnad contabilizara o pedaço retinto da sociedade brasileira em 40,1%. Os cidadãos que se declaravam brancos representavam, então, 57,2%. Decorridas três décadas, os negros (pretos + pardos) são 49,5%. Os brancos, 49,7%.

 

A ultrapassagem, calcula o Ipea, virá até o final do ano. A supremacia negra chega em dois anos e meio: “Se as tendências de fecundidade continuarem como nos últimos anos, a partir de 2010 o Brasil será um país de maioria absoluta de negros”, diz Mário Theodoro.

 

Chega-se, então, à má notícia embutida no trabalho do Ipea: a média salarial dos negros brasileiros representa 53% dos vencimentos dos brancos. Neste caso, não há ultrapassagem no horizonte.

 

Mantido o ritmo atual, o Ipea estima que a equiparação da renda de negros e brancos não chegará tão cedo. É coisa para 2040. Repetindo: os negros só terão contracheques equiparáveis aos dos brancos daqui a 32 anos.

 

Diz-se que, no Brasil, vigora a “democracia racial”. Bobagem. As estatísticas provam o contrário. A brancura que viceja nos restaurantes chiques e o negrume das batidas policiais também demonstram o inverso.

 

O racismo brasileiro, por cordial, é uma fratura que, embora exposta, as pessoas se negam a enxergar. Nega-se o que é inegável. Ao começar a se reconhecer como negra, a sociedade dá um primeiro passo para mudar a posição do quadro.

 

Difícil adotar políticas públicas de promoção dos negros sem saber quem é negro. Corre-se, porém, o risco de enveredar por trilhas simplificadoras.

 

Por exemplo: os líderes partidários decidiram levar a voto, nos próximos dias, projetos que criam cotas para negros e índios nas universidades federais. Erro.

 

É certo que o filho da família abastada, está a um passo do banco universitário. É certo também que, no Brasil, há mais brancos bem-nascidos do que negros.

 

Mas a idéia de colorir a política de cotas, além de desmerecer o mérito do estudante, impõe uma espécie de racismo às avessas. Parece mais razoável combater o privilégio no acesso às universidades fixando cotas por renda.

 

Ou, melhor ainda, o ideal é fixar cotas para estudantes provenientes de escolas públicas –sejam eles pretos, pardos, brancos, amarelos, vermelhos, azuis…

Fonte: Blog do Josias de Souza

Veja mais:
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30 Responses to Brasileiros se reconhecem negros. Será resultado da política de cotas?

  1. José Luiz disse:

    Sou negro, com nível de formação superior e mestrado, professor universitário e profissional liberal. A graduação em engenharia elétrica e a pós-graduação foram obtidas em instituições federais de ensino, ou seja, em escolas públicas. O curso fundamental, que na época denominava-se primário, e o ginásio, totalizando nove anos de estudo básico, também foram realizados em escolas públicas. Isso em uma época em que as instituições públicas de ensino ainda não haviam sido submetidas ao processo de sucateamento que observamos hoje, em todos os sentidos e em todos os níveis. Essa é uma das razões que me provocam um sentimento de extrema tristeza quando vejo a revista Veja, por exemplo, bombardear as universidades públicas brasileiras com suas reportagens fabricadas e ortograficamente bem escritas. Por “coincidência” observei que algumas reportagens tendo como tema os “custos exacerbados” de instituições de referência como a USP, foram seguidas de edições contendo páginas recheadas de publicidade de instituições particulares ensino, de todos os níveis. Devo dizer que meus filhos, também, graduaram-se e pós-graduaram-se em escolas federais de ensino. Sempre os orientei para que eles lutassem para estudar nessas instituições por causa de seu nível de ensino que, apesar das evidentes tentativas de esvaziamento, ainda resistem como as melhores do Brasil. Isso pode ser inegavelmente demonstrado pela qualidade profissional dos egressos de seus quadros de discentes. Para citar um exemplo, quando tenho que me consultar com um médico, procuro saber antes onde foi a feita a sua graduação e residência. É muito mais seguro e até hoje não tive surpresas desagradáveis. Para resumir, também concordo que a política de cotas, da forma que está colocada, é mais um problema que uma solução para os negros. Ou seja, as chances das camadas mais desfavorecidas da sociedade serão aumentadas quando voltarmos a ter um ensino básico com um mímimo de qualidade e seriedade, a partir de políticas consistentes, sérias com expectativas de resultados razoáveis a médio e longo prazos. E isso depende justamente de políticos que buscam votos da maneira mais fácil — iludindo os incautos e imediatistas.

  2. Infelizmente, mas vamos aos poucos nos inserindo, com educação e capacitação, postura dos negros de um modo geral e muita divulgação.

  3. Adorei a matéria. Nota 10. Apenas discordo na questão da cota, como conseguiremos ter a tão desejada igualdade, sem instrumentos que diminuam estas desigualdades apontadas na matéria?…
    Um abraço.

  4. JONAS disse:

    sou de cor “PARDA”. Este sistema de cota é uma tremenda bobagem, não vejo como este sistema ira corrigir o estado de miséria que impera neste país desde o ano de 1530 com a colonização que não destingüi cor, pôis (NEGRO/BRANCOS/PARDOS/AMARELOS/VERMELHOS)todos iguais, mas sim titulos de terras ofertados pelo rei de Portugal, que ai sim formou a burguesia e elite que até hoje impera no pais e de politicos corruptos que hoje fazem parte dessa burgueis elitisada. todos nesse país e no mundo pode ser rico ou pobre / mendingo ou miseravel independente da cor. O que importa é que todos somos da raça humana e que por fora somos de cor diferente e internamente somos todos iguais e que a nossa cor não nos faz rico ou pobre/burro ou inteligente/alto ou baixo/feio ou bonito/estrovertido ou timido. Sou baiano e correu noticias de que o governo do estado pretende obrigar empresas que se estabelessa no estado a adotarem o sistema de cota para negro. Esses politicos fazem tantos plebicitos e tendo em vista que este tema é tão polemico poderia se fazer um para que a população de um ponto final nesta celeuma e não uns poucos tente impor na mente de pessoas que se for de uma ceta cor ela é imcapaz e de pouca inteligência.”O QUE IMPORTA É QUE SOMOS TODO HUMANOS E DOTADOS DE INTELIGÊNCIA QUE SE DESENVOLVE INDEPEMDENTEMENTE DE COR”.

  5. Leila disse:

    Sou negra e mulher…rsrs…em nosso país duas caracteristicas muito fortes e NUNCA tive o menor problema em assumir isso, mas não estaria sendo verdadeira se dissesse que nunca passei por algum tipo de situação de racismo, aliás não foi uma nem duas vezes, porém sempre soube me defender e senti que desde que se criou a lei contra o racismo (veja-se que não é APENAS direcionado ao negro) a sociedade passou a ser mais tolerante, mas “sinto” que é muito superficial. Quando decidi me casar optei por ter cuidados neste sentido e admito que neste momento também fui racista, porém fui racista por querer preservar meus filhos. Sempre fui muito consciente que talvez “eles” não fossem tão fortes quanto eu ao lidar com o preconceito e decidi que me casaria com um homem de pele clara, graças a Deus fui atendida e consegui além de um simples homem de pela clara um grande pai para meus filhos, atualmente meu melhor amigo. Consegui meu curso superior a um ano, mas sempre tive bons empregos, Tive que superar a falta do diploma com uma maior dedicação que os outros colegas. Não sou a favor das cotas, sou a favor de maiores investimentos nas escolas públicas e que se faça isso através de melhores salários aos docentes e investimentos nas estruturas e clareza nas Políticas Públicas que são desenvolvidas para os ensinos públicos e que se tenha acompanhamento para tirar de salas de aula os profissionais que só “aceitam” a conversar com o pai em “sua hora atividade”, demonstrando claramente estar ali insatisfeito provavelmente por não se sentirem valorizados e através de sua insatisfação deixam bem claro que não estão nem ai aos seus alunos, existem exceções não tenham dúvidas, mas os índices dos últimos ENEN’s não deixam a menor dúvida, em minha cidade as 06 escolas com maiores índices foram escolas particulares. Atualmente as Faculdades Públicas e Federais estão sendo utilizadas por pessoas de melhores condições financeiras. Por quê? Simplesmente porque estuda em escolas particulares aonde a diferença das escolas pública é vergonhosa e estou falando isso porque “senti” essa diferença quando tive que retirar meu filho de uma escola pública pelo auto índice de violência e me “virar” em mantê-lo em uma escola particular para tentar fugir desse problema. Nunca esqueço o sentimento que tomou conta de mim quando recebi todo o material que meu filho passaria a ter em seus estudos por bimestre além do incentivo a literatura, justamente naquele ano o governo do estado tinha proibido que os colégios usassem as apostilas que nós pais pagavam for fora, já como tentativa de diminuir o abismo entre as entidades. O governo está estimulando que utilize a nota do ENEN e FIES (esse segundo é muito perigoso), agora o FIES é 100% porém tem que se pagar um juro trimestral ao governo e não pague não pra ver, seu nome vai direto ao SERASA. O pior de tudo isso é que nem sempre o diploma é uma garantia de emprego, porque ao apresentar seu diploma, o recém formado ouve que sente muito e “ele (a)” precisa ter experiência. Mas enfim, o tema aqui tratado é racismo especificamente o negro e não quero fugir disso. Somos a maioria e fico feliz em saber que finalmente os negros estão se assumindo cada vez mais, talvez a partir daí, quando o próprio negro conseguir buscar seus próprios direitos sem precisar que alguém dê esse direito a ele. Que busque esses direitos escolhendo com seriedade seus representantes no governo e que ao colocar seu voto na urna, saiba o que está fazendo e que aquele seu voto representa a expectativa de todo um povo por pessoas que pensem no povo e que tenham COMPROMETIMENTO e não ocupem cargos púbicos pensando apenas “neles”. Somos nós os negros que vamos reverte isso: “A brancura que viceja nos restaurantes chiques e o negrume das batidas policiais também demonstram o inverso. O racismo brasileiro, por cordial, é uma fratura que, embora exposta, as pessoas se negam a enxergar. Nega-se o que é inegável. Ao começar a se reconhecer como negra, a sociedade dá um primeiro passo para mudar a posição do quadro.”

  6. iole disse:

    Para mim é uma imensa tristeza, ver que o ser humano e tão pequeno ao ponto de descriminar alguem pela raça ou cor!

  7. letícia carneiro disse:

    Me espantei ao ver no meu e-mail uma noticia com um título tão preconceituoso!!

    Nossa, estou passada depois de ler a matéria inteira..primeiro porque um título desse só pode ter vindo de um classe média metido que não aceita o fato da necessária inclusão social dos negros..que só pode ser feita no país através de politicas socias como a política de cotas .por exemplo…

    O escritor deveria perguntar aos filhos dele que estudam em bons colégios quantos negros há na sala de aula deles. Falo isto pq sou negra..sempre estudei em colégios particulares em nunca teve mais do que 3 negrso em sala num total de 40.

    O escritor demosntra uma falta até de inteligencia ao desconsidarar a veradadeira realidade do país, que exclui e descrimina não ~só pela condição social, mas pela cor da pele sim.

    Além de tudo, desconsidera um fator essencial de conquista da comunidade negra do país, que se conscieniza cada vez mais de suas origens, conhece seu passado de luta e se orgulha de sua cultura!….o fato de haverem mais pessoas se declarando como negros ou pretos, não vem, como induz equivocadamente o título do artigo, do fato da política de cotas(burro), mas sim de um processo de conquista negra que hoje não mais se envergonha de ser o q eh, pq se conhece e se aceita num processo de conscientização!

    Se o escritor parasse pra conversar com um negro que não fosse sua empregada doméstica, ou o gari da esquina, ou o taxista, ou o vendedor de cahorro quente….não escreveria os absurdos que colocou no artigo.

    E mais. A desigualdade social do Brasil é um reflexo profundo da discriminaçao racial, se vc não sabe.

  8. josue jão elias disse:

    penso eu que é um mau necessario. até presente momento.pois o desequilibrio vem desde do seculo passado,quando filhos de escxravos não podian estudar, isso não se aprende na escola por que? por que tanta polemica na questão de cotas para etnia negra , quando ha cotos para filhos de agricultores. de 50%. isso a midía não divulga interessante né?. bem. tem tantos outros casos assim, que faltaria espaços para relatar. mas com ja dizia o escritor natalicio soares não existe raças superiores e sim individuos capazes.. grande abraços…

  9. talita disse:

    O fato é que existe muito preconceito ainda, é uma herança cultural .. há tb aqueles hipocritas que dizem que nao tem, mas tem.. todos nós carregamos um preconceito no ‘bolso’ seja ele racial, social, homossexual, etc
    O problema das cotas só agravou ainda mais isso, uma vez que, dentro da própria instituição, um negro eh discriminado pelo fato de entrar mais facil, e comprovam-se de que a cada 10 estudantes que entraram por cota, apenas 3 concluem o estudo, pq vai surgindo obstaculos financeiros, pois se vc eh negro e pobre, nesse pais, dificilmente conseguira comprar um livro, que eh super caro, faço direito e tem livros na faixa de 700! entao ele tirou a vaga de alguem realmente bom, isso eh revoltante.. o governo devia ter uma outra politica, como adotar um ensino de base melhor, assim nao iria haver essa discriminação, pois todos entrariam igual, mas nao eh isso que o governo quer, quer que sejamos leigos para isso continuar assim, a criança eh obrigada a ir a escola, pq o pai tem 5 filhos, recebe o bolsa esmola,,, ou seja ganha 500 reais por mes e nao faz nada, a criança nao qr nada .. passa automaticamente.. pimba! deu nisso ..

  10. Cristina disse:

    Honestamente, acho esse sistema de cotas um dos principais responsáveis pelo racismo, ou pior ainda, o próprio sistema se auto exclui socialmente pelo simples fato de alguém denominar sua raça diante da inscrição em vestibular já é discriminação, pois na escola pública estuda o negro, o pobre, o branco que também é pobre. Por que a existência de um sistema desse tipo? Seria mais inteligente se as cotas fossem entre escolas públicas e privadas, pois em ambas há negros e brancos, e esses disputariam igualmente entre si honradamente. O nosso país é miscigenado, há índios, mulados, caboclos e essas cotas não atinge essa classe, o que deveria existir é uma preocupação dos políticos em favor da educação que há muito tempo esta jogada ao relento, não há capacitação de professores, e aqueles que querem trabalhar , as escolas estão caindo em suas cabeças. Para o governo pouco importa isso, pois eles estão lá enchendo seus bolsos com o nosso de dinheiro, e o pobre que se acabe, e nas próximas eleições ganha duas telhas para a sua casinha e fica por isso mesmo. Temos que ter consciência para sairmos dessa inércia , e “destronar” esses bandidos que estão no poder, pois há muitas pessoas de bem que querem trabalhar pelo nosso país, só depende da nossa conciência.

  11. fabio idalino disse:

    as politicas de cotas são temporárias,apenas um começo pará combater a desigualdade racial.as cotas não vai dividir o país,pois o proprio encontra-se dividido há seculos.somos um povo misigenado?sim!mas,vamos observar onde estão os negros na pirâmide social:ganhando os menores sálarios,em serviços de menores renda,o números de desempregados entre os negros é maior,etc,etc…..todos querem uma educação pública de qualidade,porém,não podemos esperar por mais 30 ou 40 anos.tanto as cotas,como a educação de qualidade podem ser feitas juntas,basta ter boa vontade politica.as cotas não são um assunto para negros,mas,de toda uma sociedade que quer viver num país justo e igualitário.

  12. Daniela Miolli disse:

    Concordo em diversos aspectos com esta matéria e em outros não.
    Eu acho absurdo o sistema de cotas por causa da cor da pessoa. Deveria ter sistema de cotas baseado na situação socioeconômica da pessoa,pois é aí que está a desigualdade.
    Um negro com muito dinheiro no bolso, ou um branco , ou amarelo, ou pardo, ou indígena certamente frequentarão os melhores restaurantes se quiserem, pois o que impera é o dinheiro.Infelizmente

  13. André Silva disse:

    O que muita gente não negra não entende é que a discriminação não é só econômica, um negro de classe média também sofre preconceito. Quando me formei, presenciei vários casos de amigos que fizeram universidades federais e na hora da entrevista de emprego foram descartados em detrimento de brancos com currículo muito inferior.

  14. André Silva (em resposta á Talita) disse:

    Segundo a Folha “a respeito dos sete alunos que entraram pelo primeiro vestibular com cotas da universidade de Brasília: três irão se formar até julho, outros três no fim do ano e um concluiu o curso em três anos e meio, no semestre passado.

    Todos moram a pelo menos 20 quilômetros da UnB, em cidades periféricas de Brasília, e se sustentaram durante o curso com bolsas de pesquisa –estas, em sua maioria, relacionadas à situação do negro. ”

    Talita, não se deve divulgar achismos, também é um preconceito.

  15. Igor disse:

    O texto é ridiculo e preconceituoso.

    Assino a Folha de SP, o jornal já se prostou contra as cotas.
    Esse “escritor” escreve na Folha, então, comentar o que?

    Ele até posa de “politicamente correto”.
    Logo, quem diz não ter sangue negro é racista.
    Logo, o uso do termo “branco” de forma a generalizar a todos nós brancos, como senhores da sociedade. O negro é o eterno coitadinho.
    A imensa classe A é composta por brancos malvados é verdade. Mas a generalização, como se não houvesse brancos pobres, é um dos vetores da ignorância. O negro até aqui esta em desvantagem economica mediante séculos de exclusão..
    Mas toda vez que um pseudo intelectual escreve sobre o assunto ele diz: ” o homem branco” de modo a englobar todos os brancos.
    Pois eu digo categoricamente que os pretos em parte são responsaveis pela sua situação de escravos a 400 anos atrás. Pouco se fala que a tal “mãe” África e sua tribos já faziam escravos e os vendia aos europeus. Era o “irmão” preto da tribo X que vendia o “irmão” preto da tribo Y, normalmente por dividas ou prisioneiros de guerra tribal.
    Mas vamos entrar na moda. Homem branco malvado, indio e preto vitimas.

  16. ELIZETE disse:

    Tenho vergonha de saber que fizeram otas para negros como se fossemos diferentes de alguem em quesito de capacidade.O que realmente deveria acabar é com as diferenças, isso sim é preconceito.Me sinto como se eu fosse diferente e inferior aos brancos,pois preciso de cotas de entrar numa universidade através de preferencias,isso pra mim sim é um preconceito.
    Sou negra e sou contra essas diferenças,por que sei o quanto sou capaz ,já muitas vezes me comparei com outros e vi que no minimo somos iguais,mas menos eu não sou.

  17. Emanuel disse:

    A materia esta muito objetiva. Quanto a cotas embora possa parecer descriminativa,jullgo ser necessario no momento. A nossa educação nos colégios públicos ainda está muito longe de promover a integração da classe menos favorecida. E enquanto esse abismo não for diminuido essa é a única maneira de assegurar uma chance dessa classe cursar uma faculdade.

  18. Ana Elisa disse:

    Eu concordo que a cota para negros é “uma espécie de racismo às avessas” pois estão subestimando a capacidade do negro entrar numa universidade, claro que para um jovem de família pobre será bem mais dificil ingressar numa faculdade mas nao impossivel…
    A questão é que, agora com a cota de negros todo mundo é negro!

  19. Raissa disse:

    Achei interessante a reportagem, esta é a realidade do negro no Brasil. O que acho
    estranho é que daqui a alguns anos a população negra “será maioria”….há negros
    querendo se passar por brancos, esta é a realidade mais evidente. Vamos ficar como
    a África do sul: uma maioria de população negra e pobre, mas, a Economia fica em
    mãos de brancos ricos, que é a minoria lá. De que adianta ser maioria negra, porém,
    ter as piores escolas, sem sistema bom de Saúde, ter os salários mais baixos, enfim,
    ser os mais desprivilegiados? Não vejo motivos a comemorar ser o negro maioria
    da população.Só se for para engrossar os blocos carnavalescos.

  20. Cleusa Ritchio disse:

    O Brasil está caminhando para trás.
    Há uns vinte anos o ‘primário’ público era muito melhor que o particular. Lembro-me de lecionar, naquela época, para a quarta série e no fim do ano era aplicada uma prova de ‘admissão ao ginásio’, em outros colégios. Os meus alunos, como das outras professoras, não faziam feio em escolas particulares, pelo contrário, os professores preferiam alunos do nosso ‘grupo escolar’. Depois que começaram com pontinhos extras para aumentar a média dos professores em concursos e conseguirem uma colocação mesmo não se saindo bem nas provas, chegando a perguntar à gente como eram separadas as sílabas da palavra ‘guerra’ (exemplo real), e depois também com eleições para o cargo de diretor, o ensino piorou demais.
    Antes a diretora escolhia a dedo os professores porque queria manter o bom conceito da escola. E escolhiam também a dedo o seu substituto pela mesma razão. Agora é como escolher qualquer político. O candidato que for mais simpático ou der maior mordomia será eleito. É uma pena.
    E quanto a cotas, quase os mesmos professores que lecionam em escolas particulares lecionam nas escolas públicas, pelo menos no meu Estado. A matéria dada, então, é a mesma. O que falta é o governo prover as escolas de uma boa biblioteca, de computadores, de todo o material que uma boa escola particular possui, além de cursinhos gratuitos para quem realmente precisa, brancos ou negros, indiferentemente.
    Dar cotas a negros, como já disseram é um racismo às avessas. Vamos gritar para que o governo se conscientize de que deve dar condições aos necessitados para disputar uma vaga na faculdade. Aí, sim, ninguém será humilhado porque entrou ‘de favor’ através do sistema de cota.

  21. Igor disse:

    Se fizerem COTAS para amarelos, o Brasil tera maioria amarela absoluta em 2011.
    de 05% da população passarão para 49,9%, um milagra.
    Uma taxa de fecundação incrivel. Procriam que nem baratas.
    A gente não sabia dessa. Olho no senso de 2000 e vejo 6% de pretos declarados.. em menos de uma década sobem para mais de 40% junto com o “pardos” hahahahaha. E agora numa mirabolante virada de mentalidade( chic cotas) de nosso comunidade afro-brasileira.
    País atrasado é assim mesmo. Até nosso racismo é tipicamente brasileiro, soluções idem. Apesar de ser afavor das cotas, só estou vendo bizarrices.
    Brasileiro é um povo safado mesmo, admito, o famoso jeitinho imperando novamente.
    Minha tataravo paterna era preta, então eu vou me declarar pardo mesmo, não tenho sequer um traço afro, mas eu sou miscigenado, e minha avo sofreu muito e bla bla bla…
    E um páis que da uma area gigantesca para menos de 20 mil indios… que país bonzinho.

    Incrivel. Também sou essa coisa que vocês chamam de “pardo”… seja lá o que for isso… tem cotas? então eu sou P-a-r-d-o.

  22. Neuza Silva disse:

    Infelizmente nossos governantes usam de um ato tão mesquinho como a tal “cota” pra negros.Brancos,negros, amarelos, indigenas deveriam ter as mesmas oportunidades. Seriam muito mais digno investir na educação pública.Assim todos , principalmente os negros e pobres puderiam entrar numa universidade federal com seus próprios méritos.

  23. Fernanda Alves disse:

    Meu Deus, esse título preconceituoso foi só para atrair mais gente para o site? Só pode ser. Nem vou entrar na quetão de cotas para negros. Nem dizer que eles “não irão conseguir concluir o curso e tirar o lugar de alguém REALMENTE bom” – aliás, já entrei no assunto, né? Nossa, ler isso que a Talita escreveu foi, no mínimo triste. Alguém “realmente bom” significa o q, Talita? Você?
    Nossa, Leila, também achei triste ler que você, mulher e negra, como fez questão de dizer, pediu a Deus um marido branco. Pediu a Deus?!

    Esse é o preconceito do brasileiro. É só procurar um pouquinho mais que aparece.

  24. Leila disse:

    Pois é Fernanda, pra você ver o quanto o nosso país é uma máscara, pedi mesmo…e sabe porque? Porque esse preconceito é totalmente mascarado…Decidi em uma dessas situações de humilhação que passei, que MEUS FILHOS não passariam pela mesma situação que eu e neste momento de sofrimento, mágoa…foi com “ELE” que eu desabafei…pena que não encontrei você nesta hora, percebe-se que VOCÊ é uma pessoa bem auto-suficiente…Também sou…só que em determinadas situações quando acontece com “você”, principalmente quando não se está preparado fica-se fragilizado (a)…e olha…não me arrependi…percebo até pelas suas palavras que realmente é um preconceito brasileiro…pensa-se que ao julgar as pessoas somos os donos da verdade, porém a realidade e a história de cada um só diz respeito a cada um que a VIVE…Fico feliz por você se nunca passou por nenhuma situação assim, se é que é descendente negra porque não consegui decifrar isso em sua manifestação…Talvez se tivesse experimentado tais situações pudesse entender com mais tolerância. E insisto em dizer que não me arrependi pela escolha porque nada mudou na prática, a única diferença é que desde que a lei foi implantada as “pessoas” controlam-se mais…falam baixinho ou pelas costas e mesmo que fale na sua frente, só o SEU testemunho não vale, é necessário que você tenha testemunhas para que sua denuncia de preconceito se concretize e infelizmente também é cultural que as pessoas raramente se dispõem a querer ajudar alguém, muito menos em situações como essa…Atualmente “meu marido branco” tornou-se meu “ex” e é um grande amigo e lutamos pelo melhor para nossos filhos e meus dois filhos já prestaram concursos públicos e vestibulares (ela já é formada) sem se utilizar dessa cota e meu “ex-marido branco” tem grande admiração por mim por ser tão batalhadora e muito atuante nas questões do movimento negro e sempre admito que fiz essa opção por querer preservar meus filhos e SEI que isso choca quem ouve, mas é a pura verdade e NUNCA me arrependi e sei que fiz pensando em evitar que eles passassem pelas mesmas humilhações que passei e como eu disse, fui muito feliz porque encontrei um marido branco que tem sido um pai maravilhoso aos meus filhos. Então querida, não fique chocada, fui apenas verdadeira e sincera…
    P.S…Só para te esclarecer (se é que te interessa…) atualmente sou apaixonada e namorada de lindo negão, só que não corro risco de ter mais filhos…mais chocada?)

  25. Pablo Cesar disse:

    Muito boa a materia.

    Concordo plenamente com o autor na questao das cotas. Elas devem existir sim como instrumento de inclusao e distribuicao de renda. Mas seria muito mais justo e adequado termos cotas definidas por renda, e nao por raca.

    As cotas para estudantes de escolas publicas tambem seriam muito bem vindas. Mas isso implicaria em reconhecer oficialmente a falta de qualidade do ensino publico.

  26. Mary disse:

    Melhores condições de ensino para a população do Brasil em geral é oq resolve, mas por resolver, não interessa para alguns que preferem o povo ignorante e sem condições de formar uma opinião crítica e argumetativa de fato!

    Estamos vivendo ainda a escravidão, vcs não perceberam? seremos livres de verdade o dia em que não for necessario segregar com a desculpa de UNIR.

  27. Mendonça disse:

    Algumas pessoas têm a ilusão de que não se discrimina cor aqui no Brasil e apenas renda.

    A discriminação de de cor não existe na lei, mas existe na cabeça e nas atitudes principalmente de pessoas economicamente poderosas deste País, que usam de artifícios e mecanismos dissimulados para afastar as pessoas pele escura dos “seus territórios”.

    Se forem estabelecidas cotas apenas por renda, os mecanismos dissimulados de exclusão por tom de pele continuarão funcionando ocultamente.

  28. Mendonça disse:

    Se não houvesse no Brasil reações tão diferentes em relação ao que fere o Direito de acordo com quem seja aquele que tem esse direito ferido, seriam justas as queixas dos que se melindram com as políticas de reparação.

    Acontecem repetidamente fatos que violentam os direitos (que pela Constituição, são iguais para os brasileiros que freqüentam os restaurantes chiques e os que habitam uma reserva indígena) – abordo o tema porque foi citado no tópico que abre este blog ter sido um “erro” o fato de que líderes partidários “decidiram levar a voto, nos próximos dias, projetos que criam cotas para negros e índios nas universidades federais…”.

    É considerado um erro que se criem mecanismos para corrigir as desvantagens impostas aos povos indígenas e negro, mas esses mesmos defensores do Direito não disseram uma só palavra a respeito das violações aos seus direitos sofridas pelos índios habitantes da reserva Raposa do Sol, os quais tiveram as suas terras invadidas por fazendeiros “brancos”.

    Eles lutaram longos anos na justiça (não massacraram os invasores, procederam como manda a Lei) e por fim, recentemente, obtiveram ganho de causa, mas, os fazendeiros, apesar do oferecimento pelo governo federal de boas terras para eles fora da reserva, os mesmos, espezinhando o Direito, arrogantemente negaram-se a cumprir o que manda a Lei. E porque cumprir, se entre os fazendeiros invasores está até um prefeito de município?

    E não adiantou o envio da Polícia Federal, eles disseram que não saem e continuam lá. Pra aumentar o desprezo ao direito desses índios, o general Heleno afirmou que o fato dessas terras estarem na posse deles “ameaça a soberania nacional”, alegando que estrangeiros possam nelas se infiltrar, quando o seu discurso deveria ser outro: “garantiremos aos índios a posse das suas terras, como manda a Lei e estaremos vigilantes para impedir que a intromissão de estrangeiros venha a prejudicá-los e ameaçar a soberania do País”. Ele é um dos encarregados de defender a ordem e a legalidade, para os brasileiros, e índios brasileiros são tão brasileiros quanto quaisquer outros que aqui nasceram.
    Alegou que as terras eram grandes demais para os índios, esquecendo que no passado a totalidade das terras brasileiras pertenciam a eles e que, por maior que seja o espaço que lhe concedam, ainda será ínfimo em relação ao que tinham.

    Por fim, os índios decidiram acampar próximo às fazendas em sinal de protesto. Foram recebidos a bala pelos fazendeiros. Dez índios foram baleados. O governador de Roraima, em vez de “apurar rigorosamente os fatos e punir os responsáveis”, qualificou os índios como “terroristas”.

    Eles alegam que a terra é muito extensa para os 17.000 índios que a habitam, mas não se incomodam nem um pouco com a informação amplamente divulgada recentemente de que 75% da renda nacional estão em mão dos 10% mais ricos, ficando 25% para atender a todas as necessidades dos 90% restantes. Isso não é bem pior? Mas qual deles quer corrigir isso?

    Para entender o que acontece, é só ler, no site http://www.globo.com , na página http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM823941-7823-INDIOS+SAO+BALEADOS+EM+AREA+DA+RESERVA+RAPOSA+SERRA+DO+SOL,00.html
    1. Quero S@ber: conflito na Reserva Raposa Serra do Sol
    O antropólogo Antônio Carlos de Souza Lima afirmou que a Reserva Raposa Serra do Sol foi demarcada nos anos 90, mas que há um movimento para acabar com a legalidade da ação.

    Se conseguirem, já sabemos o resultado: as riquezas daquela área ficarão fora da reserva, exploradas pelos atuais invasores restando aos índios se conformarem em continuar na pobreza e num espaço cada vez mais exíguo.
    Já em Altamira, quando índios feriram a facão um engenheiro da Eletrobrás durante um debate sobre a inundação que a represa de Altamira causará em suas terras, imediatamente foi pronunciado o “apurar rigorosamente os fatos e punir os responsáveis”, embora o indígena seja considerado no Brasil um “menor de idade”, tutelado pela FUNAI, mas, para mim, isso é assim apenas para que melhor se possa manipulá-los e ao que lhes pertence.

    Por causa dessa interpretação enviesada do que é Direito praticada no Brasil, inclusive por quem não deveria adotá-la e defender o direito de não importa quem, tornam-se cada vez mais necessárias políticas que se contraponham a ela, ou tudo ficará eternamente assim.
    Apesar de o Direito afirmar categoricamente que não.

  29. Mendonça disse:

    No mesmo site da globo estão as razões para tanto “amor ao País” por parte dos que querem tomar as terras índígenas:

    local: faça uma busca em http://www.globo.com e você encontrará http://busca.globo.com/Sites/busca/buscar.ssp

    VÍDEO | exibição: 15/05/2008 | site: GloboVideos

    Riquezas minerais geram cobiça na Reserva Raposa Serra do Sol
    Na Raposa Serra do Sol, há boas condições para criar gado e grande quantidade de ouro e pedras preciosas. Os grupos indígenas querem a retirada dos não-índios para explorar os minerais.

    Se lá fosse uma terra pobre e desprovida de recursos, não haveria “amor à Pátria” suficiente para ocupá-la, desenvolvê-la, por parte desses picaretas e os índios estariam em paz.

  30. talita disse:

    resposta p fernanda:
    nao fernanda, ngm tirou meu lugar… fiz uerj direito q eh o mais concorrido e dificil de entrar aki no rio e passei … mas nao escolhi pq passei p ufrj e dei preferencia por ser mais perto.
    mas conheci gente q fez 70 pts e nao entrou e cotistas fizaram 30 e entraram …. triste né?

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