Futebol contradiz campanhas antiimigrante na Europa

Repudiados na vida diária, estrangeiros são ídolos nas seleções da Eurocopa

O futebol tem desafiado os discursos e planos de endurecer as leis contra a imigração na Europa. A Eurocopa, disputada na Suíça e Áustria, mostra que nenhuma torcida pode dizer que sua equipe é formada 100% por atletas nascidos no país – o que põe em questão a intenção de governos como da França, Itália e outros de criar leis para dificultar a entrada de estrangeiros.Há 8 milhões de imigrantes na Europa, que se esforça para reduzir o fluxo de entrada de 500 mil estrangeiros por ano. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou que durante sua presidência da UE, a partir de julho, proporá um novo acordo de política comum antiimigração. Mas se na vida diária a reação aos estrangeiros é cada vez mais violenta, os espectadores europeus são obrigados a torcer para jogadores de origem estrangeira.

Karim Benzema ou Samir Nasri não são ídolos de times da Argélia, mas da seleção francesa – que Sarkozy terá de apoiar e até receber no palácio, caso sejam campeões. A França ainda conta com dois senegaleses, Patrick Vieira e Patrice Evra; Steve Mandanda e Makelele, do Congo; e Jean-Alain Boumsong, de Camarões.

Na Suécia, o astro Zlatan Ibrahimovic é bósnio, apesar de toda a discriminação que existe contra essa população que, com a guerra na ex-Iugoslávia nos anos 90, buscou refúgio na Europa Ocidental. O jogador começou a atuar por um time que reunia na Suécia os filhos de imigrantes africanos e dos Bálcãs para ajudar na integração das famílias.

GRITOS NAZISTAS
O ataque inteiro da Alemanha é composto de estrangeiros. No último domingo, parte da torcida alemã que invadiu a Áustria foi pega entoando gritos nazistas contra os poloneses – 157 foram presos.

Horas depois, era o polonês naturalizado alemão Lukas Podolski que deu a vitória ao time de Berlim, após tabela com Klose, também nascido na Polônia. Mario Gomez é neto de imigrantes espanhóis. Kuranyi é carioca, filho de húngaros e seu prato preferido é a feijoada.

Na Suíça, em meio a um profundo debate sobre imigração, o autor do primeiro gol do país no campeonato é filho de turco, Hakan Yakin. Gelson Fernandez, outro da seleção suíça, é de Cabo Verde. Na Croácia, há australianos, alemães e suíços.

Portugal tem os brasileiros Pepe e Deco entre os líderes da equipe, comandada por Luiz Felipe Scolari.

Os brasileiros ainda estão presentes nos times da Polônia, Turquia e Espanha. O caso mais curioso é de Marco Aurélio, ex-Flamengo, considerado como o melhor jogador da seleção turca. Após obter a nacionalidade turca, em 2006, ele mudou de nome: Mehmet Aurélio.

Fonte: O Estado de São Paulo
Imagem: Baptistão

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