Militância tucana de joelhos, vergonha, revolta e medo!

Do Inblog
Marcelo Vitorino

Rostos tristes em meio a muitos outros, estes últimos mais nitidamente amargurados, pelo menos todo o ambiente estava em harmonia com o ideal partidário desmantelado. Neste último domingo, foi assim que encontrei a militância tucana que sofreu o duro golpe do silêncio.

Essas expressões nada mais eram do que a reação, de certa forma, tímida, daqueles que queriam ter voz, mas não conseguiram ser ouvidos! Queriam decidir o destino de seu partido em seu município, mas tiveram esse direito tolhido, como se nada fossem e se a história individual de cada um nada representasse. Se o mesmo tivesse ocorrido em países como a Argentina ou os Estados Unidos, dificilmente a submissão aconteceria de forma tão pacífica.

Diante dos meus olhos, vi o que acredito ser o princípio do fim do PSDB, partido que se diz parlamentar em sua essência, mas que na prática parece ter outras prioridades. No momento que o vereador Gilberto Natalini, líder da bancada tucana, lia a carta de Sérgio Guerra que “recomendava” a “união” partidária, pude notar a vergonha, o sentimento de revolta e o medo nos presentes.

Acompanho o caso já há algum tempo, conheço membros das duas vertentes, a que defendia a coligação e a outra que defendia a candidatura majoritária.

O PSDB tem, nos próximos anos, um calvário anunciado, basta rever os fatos, depois de dois mandatos, seu principal ícone não conseguiu eleger seu sucessor na cadeira presidencial, na tentativa seguinte, outra decepção. Não tenho a experiência necessária para indicar todos os motivos para essas derrotas, mas tenho certeza de que a vitória do oponente se deu por aproximação.

O PT deu uma aula sobre o que é a real democracia na modernidade, todo voto é igual, não existe voto que valha mais que o outro, sendo assim, seu líder se aproximou do povo, pelo menos em tese. Ponto para o PT!

Que Serra e Alckmin eram nomes mais preparados, não há dúvida, mas as urnas responderam de forma implacável, quanto mais distante da realidade do povo, menos apoio o candidato tem. Após a derrota do último, há cerca de dois anos, no ninho tucano muito se falou em ouvir mais os anseios da população. É por esse motivo que falo que o PSDB quer comer hambúrguer, mas não quer ver a vaca morrer!

Seria ótimo se a mudança de postura tivesse ocorrido, mas isso dá trabalho e entrega os rumos do partido àqueles que constroem sua base. Qual o problema com isso? Todos! Se assim fosse, não seria possível empurrar determinado candidato, goela abaixo para sua militância.

Em São Paulo, principal capital do país, a democracia ficou para outra oportunidade. Se o PSDB fosse, de fato, parlamentar, nem disputa deveria haver, pois, de doze vereadores, onze apoiavam a coligação.

Os militantes tucanos, oriundos de outra região não conseguiram absorver os motivos que a militância paulistana e seus vereadores tinham para apoiar a coligação em detrimento à candidatura majoritária que defendia um nome da mais alta plumagem, com história no partido, carreira incontestável e já havendo disputado a principal eleição do país.

Em minha opinião, a manutenção da coligação deveria ser priorizada por diversas razões, algumas objetivas e outras subjetivas. Qual recado um partido dá quando abandona seus aliados? Qual reflexo isso trará nas próximas coligações? Que impacto terão decisões autoritárias sobre seus militantes? Com que respaldo moral os vencedores pedirão votos aos eleitores?

Tentar supor qual chapa teria sucesso é tão surreal quanto ter adivinhado o recuo daqueles que defendiam a coligação, porém, uma coisa é certa, ninguém bate em cachorro morto.

Como apesar de ser bom de bico, sou novo de gaiola, nunca imaginei que a forma utilizada para ratificar a candidatura de Alckmin pudesse ter sido tão ditatorial, em um quartel isso seria normal e aceitável, mas não em um partido político que lutou pela liberdade de escolha! Por mais paradoxal que pareça, comecei a ter menos ojeriza pelo negro período pré-democracia, pelo menos a população sabia com quem lidava.

Para quem se esqueceu, fica o vídeo abaixo:

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6 Responses to Militância tucana de joelhos, vergonha, revolta e medo!

  1. Alessandra Ferreira disse:

    A democracia é um exercício, antes de mais nada de humildade. Humildade de se expor, de defender seus ideais e de saber perder e saber ganhar. Humildade de deixar suas convicções em prol da vontade majoritária.
    A retirada da “Chapa Democrática” foi exatamente a consagração da soberba. Ninguém perdeu, mas ninguém ganhou. Infelizmente. O conluio, não traz consigo a unidade, muito menos a lealdade,
    Se os Alckimistas tinham convicção da sua maioria, deveriam sir, ter demonstrado isso nas urnas, na democracia, na convenção. Tenho certeza que os Kassabistas, saberiam reconhecer uma derrota democrática, e respeitariam a maioria, se contra eles fosse.
    Mas a falta da democracia, traz a falta do reconhecimento também. Os Kassabistas não se sentem hoje derrotados, mas sim Injustiçados. E INJUSTIÇA, nunca foi sinônimo de UNIÃO.
    O acordo selado entre poucos, no calar da noite, calou vozes e silenciou o idealismo. O Partido da Social Democracia Brasileira, mostrou que não é digno de defender a DEMOCRACIA nem mesmo dentro de sua própria casa.

  2. Lígia disse:

    Li no jornal que Alckmin ameaçou deixar o PSDb e apoiar a Marta caso a chapa fosse levada para disputa.

    Será verdade?

    Lígia

  3. jose rubens domingues filho disse:

    Caros redatores,

    Fui um entusiasta da manutenção da aliança e da chapa democratica. Realmente fiquei decepcionado com o impedimento de levar a chapa para disputa na convenção.

    Acredito que a tese pró-alckmin seria majoritária…mas na democracia não ha nada mais precioso que a possibilidade de voz e voto.

    Fiquei decepcionado.

    Mas agora todos os tucanos deverão unir forças contra o adversário comum: O PT

    http://www.tucanojovem.wordpress.com

    Saudações

    JOSE RUBENS DOMINGUES FILHO
    Presidente Municipal da JPSDB de SP

  4. Alexandre J. Di Giacomo disse:

    Para alguem que se diz novo no ninho, vc já falou muita sandice, meu filho.
    Não me recordo de vê-lo participar de movimento algum no periodo de ” pre-democracia”, e muito menos no tempo do Governo Militar, quando alguns amigos
    foram mortos , muito jovens, por terem ouvido gente de fala fácil e idéias vermelhas.
    A arrogância ao dizer que viu o “começo do fim do PSDB”, apenas porque sua corrente ,natimorta, não ganhou é algo no mínimo infantil.
    Pior foi afirmar que a militância está de joelhos. A quem vc se refere?
    Quantos diretóriios vc conhce? Acredita que não se chegou ao voto por que ?
    Porque já se sabia que Geraldo seria o vencedor e , em não havendo confronto,não haveria derrotados. Principalmente a corrente ligada ao governo estadual.
    Ao contrário, a verdeira militância se fez presente e , ela sim, não enguliu uma aliança
    que estava sendo transformada em casamento,casamento para o qual não foi convidada e cujo presente de núpcias seria a Prefeitura de nossa cidade.
    A militância é do PSDB e não do DEM, apenas isso.

  5. Ronaldo Lino disse:

    Quem ficou com medo da disputa foram os kassabistas “que após a convenção não existem mais, agora são todos tucanos”
    O tempo de divergências acabou!

    TUCANO vota em TUCANO

  6. Pô Ronaldo,

    O senhor é um fanfarrão! Você pega um artigo meu, escrito sem ofensa nenhuma personalizada, sem fazer alusão a nenhum grupo de forma pejorativa e vem com um comentário desses? Estou criticando a forma de condução e não os grupos.

    Nas próximas semanas escreverei sobre algumas personas, Luciano Gama, Floriano Pesaro, e outros… Mas, pode ficar tranqüilo, tudo que apresentar será acompanhado de provas.

    Quanto a unidade, discordo de você, mas isso veremos nas urnas. Pode ser que eu esteja errado, já errei quando achei que não haveria tapetão… E no final, teve…

    Se informe melhor com seu líder Dr. Geraldo sobre como e o que ele fez para que os vereadores retirassem a chapa contrária. Disso ninguém vai atrás. É por isso que o partido está ruindo, os fins, há muito tempo, justificam os meios!

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