Odiado pelas torcidas, Milton neves critica Justus e se diz o melhor do rádio no país

Milton Neves

Alô! Fala rápido, minha filha, que eu estou fechando minha coluna para mandar para o jornal”. Foi assim o primeiro contato com Milton Neves. O tom apressado e meio rude, no entanto, se dissolve cara-a-cara, quando começa a falar sobre carreira, planos e família – mas volta a ser ríspido quando o assunto são os antigos desafetos. No escritório, instalado no mesmo prédio da Jovem Pan, na Avenida Paulista, Milton parece confortável. Ali ele tem um miniapartamento montado, com quarto, banheiro, cozinha e sala, para passar as noites de quarta e domingo, quando sua rotina é mais puxada.

ODIADO POR ALGUMAS TORCIDAS, Milton não se abala e afirma que vai seguir cutucando os maiores clubes. “Não tem sentido provocar a Portuguesa, por isso eu o faço com o Corinthians”, explica o apresentador da Bandeirantes. E ele garante que essa é a mesma lógica que os “invejosos”, como ele fala, utilizam para patrulhar sua vida. Entre suas afirmações mais categóricas, está a de que não tem intenção de processar mais ninguém na vida, “pelo tempo e dinheiro desperdiçado”. O que contrasta, porém, com sua atual postura em relação ao empresário e também apresentador Roberto Justus, que rompeu com ele um contrato após tê-lo tirado da Record. Mais uma dos embates da carreira de quase 40 anos de Milton. Ele nasceu em Muzambinho (MG). A morte precoce do pai, quando ele tinha apenas nove anos, a mudança para a casa da tia Antonia e a descoberta do rádio, feita a partir do amor pelo Santos, construíram o que parece ser uma fortaleza. O garoto, que vibrava por ter resposta de suas cartas a Geraldo Bretas, Fiori Gilioti e Valter Abrão, locutores legendários, garante que sempre respondeu toda correspondência que recebeu, e hoje responde, ele mesmo, alguns e-mails enviados a sua caixa postal.
APESAR DA CARA DE MAU, Milton teceu elogios a quase todos os nomes citados durante pouco mais de uma hora de entrevista. Do ex-arquiinimigo Jorge Kajuru ao programa esportivo de rádio Estádio 97, passando pela assistente de maior sucesso, Renata Fan. Mas o que o deixa mais satisfeito hoje é a seção Que Fim Levou, que mantém no site oficial. O espaço é dedicado a ex-jogadores de futebol, mas também reúne outros esportistas. “A primeira é minha família. Todo o resto é secundário”. A entrevista a seguir traz um pouco mais do que a figura sempre polêmica da imprensa esportiva no Brasil.

Você demitiria o Justus?
Milton Neves – Sem dúvida. Ainda tinha três anos de contrato com a Record e, apesar de estar na geladeira, ganhava um bom salário e espaço de publicidade. Acreditei na luminosidade e importância do Roberto Justus, que é um sujeito que nunca escondeu que quer ter uma emissora de televisão, comprar o SBT, a Bandeirantes, que vai ser uma espécie de Murdoch (Keith Rupert Murdoch, dono do maior conglomerado de mídias do mundo) do Brasil. Acreditei piamente. Da Record não se sai, entra-se. Nesse meio tempo, a Band me chamou e, como já trabalho na Rádio Bandeirantes há três anos, fui para lá. Não gostei das coisas como aconteceram. Mas a mudança valeu a pena? A Bandeirantes é a Rede Globo do futebol, é realmente uma coisa maravilhosa. Trabalhei lá de 1999 a 2001. Nesses três anos, fiz o Gol, O Grande Momento e o Supertécnico. Recebo milhares de emails por dia, e muita gente pede para voltar com os programas. O técnico Carlos Alberto Parreira fala que foi o maior programa esportivo da televisão.
Você começou na Jovem Pan em 1972. Realizou um sonho?
Não posso dizer que é a realização de um sonho porque nunca sonhei uma coisa tão absurda. Quando meu pai morreu fiquei completamente desnorteado, aí o rádio me orientou. Ao gostar do Santos, passei adorar rádio. Coloquei na cabeça que tinha que ir trabalhar com rádio esportivo em São Paulo, de qualquer jeito. Trabalhei na Jovem Pan por longos 33 anos. Nesse espaço conheci todas as mídias, mas a grande paixão da minha vida, depois da minha família, é o jogador velho. Tudo é secundário para mim. Ibope, Roberto Justus, rádio, jornal, televisão. No dia em que houver uma eleição nesse país em que os eleitores só puderem ser ex-jogadores e familiares, eu ganho.

Como você consegue responder pessoalmente todas as cartas e e-mails?
Está vendo o meu dedo? [ele mostra um calo] Está assim porque sou péssimo de computador. Raciocino legal mesmo escrevendo à mão. Quando tirava férias na Jovem Pan, levava todas as cartas para Muzambinho e respondia uma por uma. Confesso que respondo 20%, aqueles que me elogiam demais ou que me xingam demais. Os outros 80%, que são perguntas como “você acha que o Corinthians vai ser campeão?”, aí minha equipe de jornalistas responde. A alegria que essas pessoas tem em receber uma carta ou um e-mail de volta é a mesma que eu sentia lá em Muzambinho quando recebia uma carta do Fiori Gilioti, meu ídolo dos anos 60.

“DEMITIRIA O ROBERTO JUSTUS SEM DÚVIDA. ACREDITEI NA PALAVRA E NA IMPORTÂNCIA DELE. TIVE SORTE DE A BAND ME ACOLHER”

Existe panelinha na imprensa esportiva?
Nada, não tem panelinha não. O que acontece é que existem pessoas, como em qualquer segmento, muito competentes, mais ou menos competentes e incompetentes. Tudo na vida é assim. Agora, quem tem talento não precisa fazer “igrejinha”, e quem não tem faz. Tende-se a fazer a panelinha quando essas pessoas são falsos malandros. Aqueles que não tem talento que unem outras pessoas, no dia que cai um, é como um castelo de cartas, vão todos. Isso é bobagem. Não tenho equipe, sou sozinho. Aqui, é cada um por si, cada um trabalha com sua competência.

Como começou a história de brigas com o Jorge Kajuru?
O Jorge Kajuru é um sujeito que nasceu com muito talento. Ele teve problemas sérios com um governador de Goiás e chegou aqui em São Paulo meio que fugido. Eu o obriguei, em termos de amizade e respeito, porque ele é um grande comunicador, a ficar aqui no meu escritório como se fosse dele, com a minha secretária o atendendo. Depois de um tempo, mudei de andar no prédio e deixei aquele escritório para ele. De repente o cara começou a me atacar. Talvez por influência de falsos amigos. Mas isso já passou. Ainda tenho alguns processos contra ele, mas hoje procuro evitar falar do Kajuru. Só quero dizer que sei que ele está com problema físico e quero desejar muita saúde para ele, que se recupere do diabetes.

“HÁ UM OU DOIS QUE MORREM DE INVEJA DO MEU TALENTO, GENTE QUE NÃO SABE FALAR. EU FAÇO RÁDIO COMO NINGUÉM E TELEVISÃO COMO QUASE TODO MUNDO”

Você tem outros desafetos…
Não quero falar sobre isso. O que acontece é que eu causo inveja. Brinco que provoco o Cruzeiro e o Corinthians, por exemplo, porque eles são os maiores. Não adianta provocar o Juventus ou a Portuguesa. Então, tem um ou dois aí que morrem de inveja do meu talento. É gente que não tem o mínimo poder de comunicação, como tem o Jorge Kajuru. Eu sei falar, ninguém faz rádio como eu. Eu faço rádio como ninguém e televisão como quase todo mundo. Mas sou um sujeito com o pé no chão. Agora, tem gente que tem uma inveja doentia do dinheiro que eles imaginam que eu tenho. É claro que não sou pobre. Trabalhando 18 horas por dia, só se eu fosse um jogador inveterado ou um viciado em droga para não ter nada. A inveja nasce no coração da pessoa para ela sofrer mesmo, porque ela pensa que não tenho problemas. Durmo muito mal, estou 20 quilos acima do peso, já devia ter parado de trabalhar.

O que acha das imitações que fazem de você?
Adoro. Convivi muito tempo com o Carlinhos (Carlos Alberto, o Mendigo, hoje na Record), que era do Pânico. Um dia ele veio ao meu escritório pedir uma autorização para me imitar. Falei para ele que o que mais vale é minha palavra, não uma assinatura. Algumas pessoas acharam que foi ruim, mas eu adorei. Coincidentemente, quando viram que eu gostei, proibiram o quadro.

É chato ser conhecido como o “rei do merchan”?
Não. Acho ótimo. Quem me chamou assim pela primeira vez foi o Meio & Mensagem, a grande bíblia do jornalismo publicitário. Olha quem trabalha comigo. Bradesco, Amanco, Brahma [irônico]. Tudo empresinha, né? Grandes empresas acreditam na marca Milton Neves. Cheguei a fazer, quando tinha um programa no horário nobre, 33 ações de merchandising. Eu me orgulho disso porque essas ações levam boa remuneração para a emissora, mantêm o programa no ar, mantêm os empregos. Quando cheguei, a Record brigava pelo quarto lugar, e quando saí estava em segundo no Ibope.

Você escolhia suas belas assistentes na TV?
Sempre tive assistente, mas nunca escolhi. Não produzi programa de rádio e televisão por três motivos: falta de tempo, obrigação e competência. Quando comecei a fazer oSupertécnico tinha a Nereide Nogueira, que nunca mais vi. Ela foi substituída pela Luize Altenhofen, que me chamou de Mário Neves na estréia [risos]. Depois que a Luiza saiu, entrou a Bianca Russo. Aí veio a Daniela Freitas.

Todas entendem de futebol?
Não. Quando a Daniela saiu, e eu nunca sei nem como entra nem por que sai, a Renata Fan, que é a única que realmente entende de futebol, caiu de páraquedas lá. Sorte é o encontro de oportunidade com capacidade. No ano passado, eu tinha uma proposta de ir para a Band. Fui negociar e falei a eles que não podia mudar de emissora, porque tinha multa. Aí indiquei a Renata Fan. O Marcelo Parada (diretor da Band) falou que eu estava louco, que mulher não está com nada. Mas falei que ela precisava de mais espaço, porque o diretor na Record, Edu Zerbini, também não a deixava aparecer muito. E ela merece, porque, além de ser linda, cheirosa, maravilhosa e educada, ela é poliglota, jornalista, profissional diplomada. O único defeito dela é a bunda reta.

Sua esposa não tem ciúme?
Nada. Sou radicalmente a favor da camisinha, mas nunca usei. Sou homem de uma mulher só. Tive umas duas ou três namoradas e casei com a Lenice, que está comigo desde 1967. Tivemos três filhos e já temos duas netinhas. Não tem motivo para ciúme. Nunca tive nenhum tipo de relação com essas moças. Todo mundo fala “é, tá comendo.” Por mim, tudo bem, se é o que acham. É melhor ter fama de comedor do que de “dador”.

Como vai o futebol brasileiro?
Ele sempre vai estar bem, só ficará ruim no dia que o brasileiro deixar de gostar de automóvel, de bunda, de mulher. Copa do Mundo devia acontecer somente nos seguintes países: Brasil, Argentina, Itália, Alemanha, Inglaterra e França. Só. O resto, Ásia, Oriente Médio, Estados Unidos, precisa parar com essa frescura de jogar futebol. Tem que fazer Copa do Mundo em país que tem futebol bom. A primeira divisão do futebol mundial é Brasil e Argentina. A segunda divisão tem esses outros países da Europa.
Quem é o melhor jogador do mundo?
O Kaká. Conheço esse moleque desde pequeno. A primeira vez que ele apareceu em rede nacional foi comigo. Ele é um sujeito que nasceu com todas as qualidades: o berço, os pais, o rosto, o corpo, a educação. Se o Brasil tivesse 180 milhões de Kakás, seria o melhor do mundo.
Você já teve brigas com torcedores?
Recebo um assédio bom. Mas uma vez, quando trabalhava na Record, que transmite para a Europa, fui abordado por um grupo de torcedores portugueses no aeroporto. Eu peguei muito no pé da seleção deles na Copa de 2006. Falava que eles iam perder, porque era uma seleção meia-boca.

“ÁSIA, EUA, ORIENTE MÉDIO – TEM DE PARAR COM ESSA FRESCURA DE FAZER COPA NESSES PAÍSES. FUTEBOL BOM, SÓ BRASILEIRO E ARGENTINO”

Qual foi sua pior briga?
Foi com o (Roberto) Avalone, em 1997, na Gazeta. Durou mais de uma hora. Mas é uma coisa da qual eu me arrependo profundamente. Fui muito bem na discussão e ele foi mal. Cheguei a processá-lo, porque ele falou na televisão que eu tinha sido comprado pelo Corinthians, que fui pago pelo clube para apresentar um evento. Ele teve que pagar R$ 1 mil para o asilo São Vicente de Paula em Muzambinho, mas hoje sou muito amigo dele.

Sempre que você processa alguém e ganha faz doação?
Nunca ganhei dinheiro com processo. Pelo contrário, perdi. Além das intermináveis tardes em fóruns. Agora não processo mais ninguém. Você já ficou muito sem grana? Depois que comecei a trabalhar com futebol, não.

E como gasta seu dinheiro?
Não tenho nenhuma extravagância. Apliquei o meu dinheiro muito bem, investindo na educação dos meus filhos. Uma coisa que eu gosto é tomar vinho E estou estudando. Só que não é uma coisa que eu compro, ganho. Outro dia, ganhei um vinho de R$ 22 mil em um restaurante. Circula um áudio na internet, no qual você troca o termo “pega no meu pé”, por “pega no meu pau”. O que foi isso?
Estava sonado. Era domingo de manhã, fiquei em uma festa de casamento até tarde no sábado e dormi pouquíssimo. Quando chegou a mensagem, li errado, foi sem querer mesmo.

Fonte: Revista UM

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2 Responses to Odiado pelas torcidas, Milton neves critica Justus e se diz o melhor do rádio no país

  1. Quiero me manden el email de milton neves porfavor gracias

  2. Joao pedro disse:

    O Milton Neves ta feliz agora q estao robando contra o gremio ne seu viado q da cu pra todo lado

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