Gene torna africanos mais suscetíveis ao HIV

O gene, que aparentemente evoluiu para ajudar a proteger as pessoas da malária, aumenta em 40% a vulnerabilidade à aids, revela estudo

Cientistas americanos e ingleses divulgaram nesta quarta-feira (16), na publicação especializada Cell Host Journal, um estudo que prova que a variante do gene DARC, muito presente na população afrodescendente devido à sua capacidade de proteger contra a malária, pode ser responsável por tornar seus portadores até 40% mais propensos a contrair o HIV. No entanto, aquele que possui essa variação genética e contrai o vírus desenvolve a doença de maneira mais lenta do que a média dos infectados.

A pesquisa ajuda a esclarecer uma das principais dúvidas dos cientistas sobre a doença: por que há diferenças entre indivíduos em relação à vulnerabilidade ao vírus e à velocidade de progressão da doença. Inicialmente, os cientistas acreditavam que variações na estrutura do vírus poderiam explicar essas diferenças, mas, hoje, sabe-se que elas estão fortemente ligadas ao código genético de cada um.

A descoberta tem também um importante papel na explicação da variação do número de casos de soropositivos em diferentes regiões do planeta. Muitos ainda defendem que o índice de contaminados pelo vírus em cada região tem relação estrita com o comportamento sexual e as condições sociais da população. “Sempre houve o mito de que as pessoas na África Subsaariana eram mais propensas a contrair o HIV por conta de suas preferência sexuais ou hábitos promíscuos”, diz o médico Ade Fakoya, da International HIV/AIDS Alliance. Com a descoberta da relação entre o gene DARC e a propensão a contrair o HIV, prova-se que fatores genéticos têm papel significativo nessa explicação.

O estudo não usou voluntários africanos, mas analisou dados de um estudo de 25 anos sobre as diferentes etnias de americanos e a infecção por HIV. Eles calcularam, após eliminar aspectos sócio-culturais, que os portadores da variação genética tinham 40% mais chances de contrair o vírus. Caso esse gene mutante não existisse na África Subsaariana, o número de casos de AIDS seria aproximadamentre 11% menor do que o atual. Estima-se que 24,5 milhões de pessoas vivem com a doença na região, e aproximadamente 2 milhões morrem por causa dela por ano.

Faca de dois gumes
O gene DARC (Duffy Antigen Receptor for Chemokines) fabrica uma proteína da membrana dos glóbulos vermelhos do sangue que se liga a substâncias inflamatórias, as quemoquinas, que são muito eficazes contra o HIV. Nos portadores da mutação, essa proteína de superfície não existe e, o que confere uma certa resistência à malária, transmitida pelo protozoário plasmódio.

“A grande mensagem do estudo é de que algo que protegia as pessoas da malária no passado agora as está deixando mais suscetíveis ao vírus HIV”, afirma Sunil K. Ahuja, um dos co-autores da pesquisa. “Ter essa doença é uma faca de dois gumes e esta descoberta é uma valiosa peça no quebra-cabeças da genética do HIV e da AIDS.”

Fonte: Revista Época

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2 Responses to Gene torna africanos mais suscetíveis ao HIV

  1. Jade disse:

    O vírus do HIV é um vírus mutável,e o código genético tb é mutável,sendo assim,as proteínas produzidas por ela são as mesmas,o que deve ser analisado é a produção dessas protínas, como no caso da malária que foi um fato natural do organismo como forma de defesa,o mesmo deve ser feito com o HIV.O corpo tem sua própria forma de defesa, porém o seu comprometimento com o ataque do vírus o torna vulnerável a outras doenças.Precisará de uma proteína que irá ativar o sitema imunológico mais forte com suas propriedades modificadas para que não haja o reconhecimento desses vírus,podendo combate-los de forma que não comprometa o paciente.(Produzir em laboratório um sistema imunológico mais resistente e compatível a todos ou criar enzimas paralizadoras).

  2. Jonathas Santos disse:

    Pois é Jade, criando-se um sistema imunológico mais resistente corre-se o rico de selecionar uma variável mutante do vírus mais poderosa e letal do que as que temos hoje.
    Agora desenvolver enzimas que apenas paralizam o vírus não expressaria valores mais objetivos do que os coquetéis que já são utilizados e, aqui no Brasil, são distribuídos gratuitamente.

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