Com Tom Jobim, Dick Farney inicia Coleção 50 anos de Bossa Nova da Folha!


A Folha de São Paulo lançou uma coleção com composta por livro e CD dos maiores nomes da Bossa Nova.
Em um total de 20 números a  Coleção 50 anos de Bossa Nova inicia com Tom Jobim e Dick Farney, o Sinatra Brasileiro.

Com textos de Ruy Castro e CD’s negros em alusão aos antigos discos de vinil a coletânea tem ainda: Vinicius de Morais, Baden Powell, João Donato, Carlos Lyra, Miúcha, Nara Leão, Os Cariocas e muitos outros.

Quem não fará parte do projeto é João Gilberto que segundo a FOLHA recusou o modelo proposto e teve sua atitude lamentada por Ruy Castro “João Gilberto tem todo o direito de se esconder em casa, de não sair à rua nem para comprar um retrós. Mas a sua obra, de certa maneira, já não lhe pertence integralmente. Ela faz parte do patrimônio da humanidade. João não deveria cercear a sua divulgação”.


Mais de Dick Farney

O pianista, cantor e compositor Dick Farney nasceu em 14 de novembro de 1921, no Rio. Seu verdadeiro nome era Farnésio Dutra e Silva. Ele começou a estudar piano ainda criança. O pai era responsável pelas aulas de música erudita, enquanto a mãe lhe ensinava a cantar.

Com apenas 14 anos, se apresentou no programa “Picolino”, de Barbosa Júnior, na rádio Mayrink Veiga. Na apresentação, ele tocou ao piano a música “Dança Ritual do Fogo”, do compositor espanhol Manuel de Falla. Estreou como cantor em 1937, cantando “Deep Purple”, de David Rose, na rádio Cruzeiro do Sul.

Durante a adolescência, o jovem passou a se interessar cada vez mais pela música norte-americana. Logo, tornou-se pianista do conjunto Swing Maníacos, ao lado do irmão, Cyll Farney, na bateria. Mais tarde, Dick se transformaria em galã da música e seu irmão em galã do cinema em filmes de Carlos Manga.

Após tocar em vários conjuntos na noite carioca, Dick Farney gravou com muito sucesso em 1946 a canção “Copacabana”, pela Continental. No mesmo ano, resolveu tentar carreira nos Estados Unidos, onde ficou até o fim de 1949, e manteve contato com cantores e músicos norte-americanos, como Nat King Cole.

Nos anos 50 e 60 gravou diversos discos e fundou várias orquestras que animavam bailes e excursionavam pelo país. Em 1964, teve um programa por seis meses na recém inaugurada TV Globo, ao lado da atriz Betty Faria. A atração se chamava “Dick e Betty”.

Em 1959, abriu a boate Farney’s na praça Roosevelt, no centro de São Paulo, que permaneceu aberta por dois anos. Em 1969, abriu a Farney’s Inn, na rua Augusta, também no centro paulistano. Ele passou a morar em São Paulo, cidade onde morreu no dia 4 de agosto de 1987.

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One Response to Com Tom Jobim, Dick Farney inicia Coleção 50 anos de Bossa Nova da Folha!

  1. Nei Duclós disse:

    MORO NA BOSSA NOVA

    Nei Duclós

    A bossa nova é como espuma, passa leve por nós e some no ar, mas volta eternamente. “Ah, meu amor tudo voltarias e de novo cairias a chorar nos braços meus”, diz Vinicius de Moraes, embalado por Baden Powel, na música Apelo, cantado por Dick Farney e Claudete Soares. O cd de Dick Farney vem junto com outro, de Tom Jobim, e é um presente da Folha, que está aos potes nas bancas, apresentados em caprichados cadernos escritos por Ruy Castro. Não comprou? Compre, custa só uns 14 pilas. Depois falamos.

    Comprou? Colocou para escutar? Cocapabaaana princesinha do maaaaar. Essa música, interface com a mais sofisticada música do mundo, cantada em português nos claros dias do Brasil Soberano, pertence ao país que perdemos, mas que é o lugar onde decidimos morar. Quero morar na Paris libertada de Cartier-Bresson, quero morar no Rio de Janeiro da Bossa Nova. Não se trata de utopia, de sonho, de realidade virtual. É moradia mesmo, areia do tempo, onde pousamos a sorte de sermos vivos e profundos.

    Não vou falar mais. Escutem. Deixem-se guiar pela civilização do som supremo, pelas mãos talentosas de Ruy Castro, pelo veludo da voz de Claudete Soares e Dick Farney, pelas letras de Tom Jobim, pelas melodias do maestro soberano. O Brasil destruído pela incúria, por 1964. Esse é o país que gerou a bossa nova. O mar, quando abandona Copacabana, sente o baque, a perda e descobre ser eternamente apaixonado por ela. Somos como o mar. Perdemos tudo, mas não nossa decisão de morar aí onde canta o país construído com a sabedoria de quem veio antes de nós.

    Hoje abri o portão e pedi para desligarem o som do rádio de um carro, de portas abertas, envolto em nauseabundo baticum. Me atenderam. Aí coloquei Dick Farney. O dia se iluminou. More conosco.

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