Por que ele não me procura mais?

Um número crescente de mulheres jovens tem essa reclamação. Fomos investigar motivos desse descompasso – e o resultado é surpreendente

Você chega em casa depois de um dia cansativo de trabalho, toma um banho relaxante e se prepara para uma longa noite de amor. Uma espécie de recompensa. Só se esqueceu de combinar com o cidadão com quem divide a cama. Ele se deita, vira para o lado e logo está roncando. Paciência! Mas, depois de a cena se repetir pela enésima vez, duas dúvidas básicas a assaltam: “O que há de errado comigo?” e “Será que ele tem outra?” Surpresa: ouvimos especialistas em relacionamento amoroso, terapeutas de casal e sexólogos, e a conclusão a que chegaram é que, na maioria das vezes, não se trata nem de uma coisa nem de outra. O desinteresse pelo sexo tende a ser um sintoma, sim, mas pode se tratar de um problema dele e não envolver a existência de uma amante.

Uma grande pesquisa realizada em 2001 pelo Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas, em São Paulo, ouviu 3 mil homens e mulheres de todas as clas ses sociais e descobriu que 12% dos homens não ti nham desejo sexual. A proporção de mulheres ainda era maior (35%). A novidade, porém, é que nos consultórios de médicos e terapeutas as queixas de homens com a libido em baixa vêm aumentando a olhos vistos.
A lista de inimigos do sexo é ampla. Um dos motivos mais freqüentes para o desejo esfriar em um relacionamento longo e estável, ou seja, com pelo menos dois anos de duração, é a tendência de o casal se tornar mais fraterno. “O homem passa a enxergar a mulher mais como mãe dos seus filhos e ‘deserotiza’ seu olhar para ela”, afirma Maria Helena Vilella, especialista em sexualidade e diretora do Instituto Kaplan – Centro de Estudos da Sexualidade Humana –, em São Paulo. Independentemente de terem filhos, se para você o sexo funciona como uma espécie de antídoto contra o stress do dia-a-dia, para o homem, cujo mecanismo biológico da ereção é complexo, em certos momentos o convite pode ser inaceitável do ponto de vista físico. Dívidas, problemas domésticos e uso de alguns medicamentos (antidepressivos e remédios contra hiper tensão, por exemplo) são outros fatores possíveis.

As pílulas facilitadoras da ereção podem ser eficazes (quando a dificuldade está no mecanismo bioquímico da ereção), mas não provocam efeito algum se o homem não sentir desejo por sua parceira. Nesse caso, elas só expõem a dificuldade.

Trabalho de mais ou de menos
Desemprego e atribulações no trabalho agravam a situação. Mas o oposto também ocorre: em alguns casos, o excesso de dedicação ou até o sucesso profissional não deixa espaço mental para o desejo sexual aflorar. O psicoterapeuta e sexólogo Ronaldo Pamplona da Costa, de São Paulo, observa: “Muitos homens associam o que estão vivendo na profissão com a sexualidade. Assim, qualquer fato da esfera do trabalho, bom ou ruim, interfere no comportamento da maioria”, diz ele, que é autor de livros sobre sexualidade, como OS ONZE SEXOS (GENTE). Constrangidos em dizer não, eles inventam subterfúgios. Voltar muito tarde do trabalho é o mais comum.

Outra circunstância que pode inibir o desejo sexual masculino é a gravidez. Ou existe o temor (infundado) de machucar o bebê, ou é a imagem sacralizada da mãe que ele não deseja tocar. Algumas mulheres, além disso, vivem a maternidade de modo exclusivista, deixando o parceiro de lado. O médico recorda-se de um casal que atendeu. “Depois de engravidar e ter uma menina, o grau de apaixonamento dela pelo bebê foi tamanho que, sem notar, relegou o marido a segundo plano”, relata.

Às vezes, a resposta para a crise de abstinência está na dinâmica do casal. Se a mulher só sabe solicitar o sexo de modo autoritário, como uma exigência, ou costuma desqualificar o parceiro no dia-a-dia, suas atitudes desestimulam a libido. Reclamações sobre mudanças na aparência feminina também já foram ouvidas em seu consultório. O homem fica num dilema: como vai dizer para a mulher que ela engordou demais sem arranhar sua sensibilidade?

Fidelidade ou não Independentemente do motivo, há um desdobramento tão freqüente quanto delicado, aponta a diretora do Instituto Kaplan. Muitos homens, ao se verem na condição de baixa libidinal, optam por procurar outras mulheres. “A nova conquista, além de um teste para sua virilidade, o faz sentir-se valorizado.” Assim, em alguns casos, a temida infidelidade não é a causa da crise de abstinência em casa, mas uma de suas conseqüências.

Para a psicóloga e terapeuta de casais Regina Navarro Lins, autora de FIDELIDADE OBRIGATÓRIA E OUTRAS DESLEALDADES (BEST SELLER), a monogamia seria justamente o pivô da queda da libido masculina. “Acho que isso ocorre principalmente por causa do modelo de casamento que prevalece em nossa sociedade, que faz com que homens e mulheres se tornem irmãos. O homem não perdeu o tesão – ele perdeu o tesão pela mulher dele, que é aquela com quem ele discute os problemas dos filhos, a conta do supermercado…”, opina.

Desde que saímos do útero materno, vivemos um sentimento de falta e desamparo que nos faz querer reeditar o vínculo primordial com a mãe. Nossa sociedade incentiva a buscar tudo isso na relação amorosa. Daí a dependência emocional, característica dessas alianças. Ao mesmo tempo, se o risco não existe – como se pressupõe no compromisso de fidelidade –, o interesse diminui. Então, como equilibrar a situação?

Nisso, os especialistas são unânimes: volte a namorar. O importante é conseguir surpreender o outro, estimular sua curiosidade. Mas, como alerta Regina, essa tática só funciona se for preventiva. Depois que a situação está instalada, o primeiro passo é buscar as causas.

Investigadas e descartadas as possibilidades orgânicas – que demandariam tratamento –, é hora de analisar o estilo de vida do homem e do casal e partir para uma conversa franca, na qual ambos estejam mais interessados em ouvir do que em fazer acusações. Se o caminho do diálogo não for suficiente, a recomendação é procurar apoio profissional. Um psicólogo especializado em sexualidade ou um terapeuta de casais são os profissionais mais indicados. A boa notícia é que, mesmo que o homem se recuse a participar da terapia, muitas vezes só o atendimento da mulher já basta para chacoalhar o relacionamento.
O lado delas
“A gravidez foi o melhor momento da minha vida. Estava casada ha via dois anos. A partir do quinto mês, porém, meu marido passou a me evitar na cama. Foi difícil, me senti rejeitada e chorava bastante. Sentia muita falta de sexo. Acho que eram os hormônios. Tentei conversar, mas não funcionou. Até que um dia, durante uma discussão, ele soltou a pérola: não lidava bem com a idéia de transar com uma mãe! Parecia uma coisa antiga, e ele é muito jovem, descolado. Mas era isso. Falar essa verdade, que até para ele parecia um absurdo, foi o caminho para o entendimento. Nessa altura, mesmo com um barrigão de quase oito meses, voltamos a transar.”?
MARA*, 28 ANOS, JORNALISTA

“Estávamos juntos fazia dois anos quando a história esfriou. Comecei a achar que ele tinha outra. Deu uma paranóia porque, durante pelo menos quatro meses, ficamos quase totalmente sem transar. Ele inventava desculpas para a gente não se ver e acabamos rompendo. Tempos depois nos reencontramos, como amigos. Foi bom, mas nessa época já estávamos com outras pessoas. Um dia, quando já nos sentíamos bem seguros, tocamos no assunto. E ele me confessou que nunca tinha existido outra mulher. Era um problema dele mesmo, coisas pessoais que interferiram no nosso relacionamento. Pena. Mas a experiência, por pior que seja, faz a gente crescer.”
JÚLIA, 27 ANOS, PUBLICITÁRIA

O lado dele
“Depois de três anos e meio de casamento, o sexo começou a falhar. Apelei para o Viagra, que logo de cara funcionou. Depois, não mais. Ainda bem que não contei que estava usando, porque admitir seria um fracasso maior. Eu não ficava suficientemente excitado para ter uma relação sexual completa. Por isso, muitas vezes me limitava aos carinhos. Eu dizia que estava cansado, chegava tarde do trabalho ou dava desculpas. Passamos uns seis meses assim. Como eu já tinha falhado algumas vezes e ela percebeu que eu ficava mal, foi compreensiva e me aconselhou a ir ao médico. Mas eu só segui a sugestão quando descobri na internet uma clínica que achei discreta. Percebi que a raiz do problema era o stress no trabalho. Eu estava sendo muito cobrado profissionalmente, pois havia assumido recentemente um cargo de gerência. Mesmo depois de entender isso, para mim foi difícil me abrir com minha mulher e mesmo com amigos. A sorte é que, por fazer o tratamento numa clínica multidisciplinar, com médicos e psicólogos, quase sem perceber já estava em terapia. Como o profissional era homem e especializado nesses casos, foi mais fácil encarar o tratamento. Até hoje, um ano e meio depois, mantenho contato com o terapeuta. Com o tempo, consegui me abrir com minha mulher. Ela tem tido paciência para esperar os resultados da terapia, que não são imediatos.”
FLÁVIO, 36 ANOS, BANCÁRIO

*Nome trocado a pedido da entrevistada

Fonte: Claudia

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8 Responses to Por que ele não me procura mais?

  1. Juarez Targino disse:

    Muito bom esse artigo, pois todos nós homens e mulheres já passaram ou passam ou vão passar por isso. O texto vem como forma tambem, preventiva.

  2. Martha disse:

    Gostei muito desse artigo, pois já passei por isso e não desejo pra ninguém, ainda mais quando agente ama de mais o nosso marido. só que eu masma resolvir o problema, procurei um médico da minha cnfiança e contei a situação que tava vivendo , e ele passou um remédio que foi tiro e keda. hj meu marido trabalha fora e só chega fim de semana, eu já fantasio tudo na mente q ligo pra ele e digo o que eu kero e tô desejando e ele já vem mim desejando, nós mulheres temos que ser criativas e expor nossas fantasias. ninguem gosta de comer a mesma coisa a semana toda.

    entaõ entre 4 paredes vale tudo. muitos bjos pra tds.

  3. Alessandra disse:

    Muto bom o artigo. Já passei por isso num relacionamento super estável de 6 anos. Apesar de todo diálogo, chamadas para novas fantasias e abertura ao diálog que tinhamos um com o outro, posso dizer que não tive sorte pois quando comecei a procurar ajuda profissional, ele encontrou uma ex de adolescendcia que tb era casada e primeiro com a desculpa de se reaproximar de uma amizade, acabou ficando de vez com ela. Preparávamos o nosso casamento, apesar de já morarmos juntos e, depois disso, ele casou-se com ela em apenas 3 meses. Que sirva de alerta a homens e mulheres pois até hj (três anos e meio de separação) infelizmente eu ainda o amo e sei que quem precisa de tratamento urgente sou eu.
    Abraços.

  4. Duda Moraes disse:

    Se vc comer arroz com feijão todos os dias é claro que vai abusar. O mesmo acontece com o sexo. A mulher precisa deixar as coisas acontecerem naturalmente. A maioria dos homens está com problemas de ereção e sem vontade de fazer sexo porque eles estão sentindo sua masculinidade sendo ameaçada pelas mulheres. eles ainda não estão sabendo lidar com isso, especialmente os machões de carteirinha e os incubados…rsrsrsrs. As mulheres hoje podem tudo e fazem tudo, inclusive conquistar seu parceiro. Antes da mulher conquistar seu espaço em tudo eram eles quem caçavam as mulheres, Nós mulheres eramos as conquistadas. Porém hoje em dia como as coisas estão quase iguais para os dois lados, é claro que quem se sente ameaçado é o bicho homem e com razão. Pense comigo……Revolução Feminina nada tem haver em ela querer ser homem. No meu ponto de vista, ela deve conquistar todos os seus espaços, mas sendo sempre a femea, a caçada, a conquistada……
    A mulher de hoje gosta de dar ordens, de ser autoritária. Sabe o poder (dinheiro) deixa a mulher forte e destemida igual a um homem. e a mulher está se destacando em muitas áreas e está ganhando muito dinheiro. E é essa a causa da disfunção erétil na maioria dos homens.
    Tenho um colega que a chefe dele é mulher. Vcs nem imaginam como ele a xinga com os palavrões mais cabeludos, e sabe porque? Ele é machão do tipo….mulher minha tem que esquentar a barriga no fogão e esfriar no tanque….rsrsrsrs
    Agora imagina esse meu colega casado ou morando junto com uma mulher que trabalha em uma grande empresa e que ganha mais do que ele, com certeza iria tomar viagra escondido até o penis dele parar de funcionar…….rsrsrs

  5. Antunes disse:

    Parabens, este artigo veio em boa hora, sou casado pela segunda vez e mesmo assim tenho meus dias de ruindade sexual, nunca apelei para remedios, quando estou sem apetite sexual, procuro olhar bem para minha esposa e ver nela os atributos que eu quero e vem dando certo, não é uma coisa normal eu sei, mais e o que eu faço e é o que está mantendo o meu segundo casamento sexualmente falando, o resto nós fazemos como todo casal que se ama.

  6. RAIMUNDO disse:

    GOSTEI DESTE ARTIGO, MAS FALTOU A RESPOSTA CONCRETA, COMO HOMEN VOU RESPONDER AGORA, SABE PORQUE OS HOMENS NÃO PROCURAMA AS MULHESRES? PORQUE ELAS NÃO SE ESCONDEM

  7. Dora disse:

    Também gostei bastante deste artigo, que me fez pensar na nossa actualidade. Existe sem dúvida fundamento e verdade em muitos dos testemunhos aqui deixados e é realmente notório que a nossa sexualidade em toda a sua plenitude, tem vindo a sofrer mudanças juntamente com a sociedade. Tudo hoje em dia é muito fácil, as mulheres, os homens, o sexo, a troca de parceiros..são conseguidos sem esforço, o que causa desinteresse rápido e vontade de experimentar coisas novas.No fundo, é uma busca desconcertante pelo sentimento e pessoa que nos obrigue a uma conquista, que nos faça sofrer, para que tenhamos a noção de que realmente a merecemos e de que é nossa.. Tal como o Raimundo diz, escondam-se…dificultem as coisas, verão que é muito diferente, mais interessante e saudável, até para voçês próprios.

  8. joana disse:

    Não tenho mais paciencia com o meu marido. Quando namorávamos ele já não me procurava mais… eu é que o procurava, meu filho tem 3 meses e depois que ele nasceu transamos apenas uma vez … assim mesmo porque eu pedi. Me masturbava quando grávida, porque ele nem sempre topava, e quando aceitava não podia ver minha barriga. Não ganho mais que ele, não me acho feia, adimito que cobro atitudes, ponho ele contra parede, já disse até que merecia um chifre. Ele trabalha muito e chega tarde em casa, mas tenho certeza que não tem amante, pois sempre sei onde está e seu celular está sempre ligado. Não sei mais o que fazer… já chorei varias noites seguidas, já me masturbei e chorei em seguida … já pensei em deixá-lo… não sei o que fazer.

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