Mesmo com informação, jovens fazem de tudo para pegar AIDS

“Sempre soube da importância da camisinha. Minha mãe insistia para que eu nunca saísse de casa sem ela. Certa vez, na escola, uma professora demonstrou como usar o preservativo. Achei patético. Aquilo não era para mim. No fundo, achava que aids era coisa de gay. Aos 16 anos, no início da minha vida sexual, eu até usava camisinha, com medo de engravidar as meninas. Depois, desencanei por causa da bebida. Sob o efeito da cerveja e do uísque, aí é que a camisinha não saía mesmo do meu bolso. Meus amigos também agem assim. Há três semanas eu descobri que tenho o vírus HIV. É óbvio que eu tomei um susto. Mas agora estou mais tranqüilo. Daqui a uns dias vou começar a tomar o coquetel contra a aids. Sei que terei uma vida normal.”

O relato do estudante paulistano A.K., de 21 anos, é aterrador. Impressiona pelo descaso com o sexo seguro e, agora, pelo modo como enfrenta a infecção pelo HIV. Ele não é uma exceção. Rapazes e moças como A.K. se tornaram figuras freqüentes nos consultórios dos grandes infectologistas brasileiros: jovens de classe média, com menos de 25 anos, contaminados pelo vírus da aids em baladas regadas a muito álcool e drogas. “Em 28 anos de consultório, nunca vi tamanho desdém pela proteção sexual”, diz Artur Timerman, infectologista do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. “E esse descaso é provocado pelo abuso de bebidas alcoólicas e substâncias entorpecentes.” Oficialmente, a ocorrência de aids entre os jovens de 13 a 24 anos mantém-se estável nos últimos cinco anos. Eles representam 10% do total de infectados no país a cada ano, o que equivale a cerca de 3.000 casos. “Mas é urgente que essa rapaziada mude de comportamento já”, alerta o infectologista David Uip, do Hospital Sírio-Libanês. “Do contrário, prevejo uma explosão da contaminação por HIV entre os jovens.” Até recentemente, os portadores do vírus com menos de 25 anos que chegavam ao consultório de Uip eram, no máximo, três por ano. De 2007 para cá, o médico passou a atender, em média, um paciente com o mesmo perfil por mês. “Estou estarrecido com a postura camicase desses garotos”, afirma o infectologista.

Em algumas situações, o comportamento irresponsável adquire contornos suicidas. Comum entre os gays americanos desde os anos 90, vem ganhando força no Brasil a prática do bare-backing, em que homossexuais masculinos se expõem voluntariamente ao vírus da aids em relações sem proteção. A expressão barebacking pode ser traduzida como “cavalgada sem sela”. Nessa roleta-russa da aids, um portador do HIV é chamado a participar de uma orgia. Ele pode ou não receber dinheiro por isso. Quando é contratado, o valor fica em torno de 3.000 reais. Batizado de “gift” (presente, em inglês), o soropositivo não é identificado. Todos os outros convidados, porém, sabem que na festinha há pelo menos um portador do HIV – e se divertem com o risco de ser infectados. Essa maluquice é protagonizada, em geral, por homens de 16 a 30 anos. Aos 48 anos, R.F. está contaminado há quinze. Já participou de uma dezena de barebackings. Num deles, foi o “presente”, mas pediu para ser identificado. “Apesar do lenço vermelho amarrado no braço, o que denunciava o HIV, muitos quiseram ter relações comigo sem camisinha”, conta R.F.

As drogas que alavancam o comportamento sexual irresponsável – tanto de homossexuais como de heterossexuais – podem ser pesadíssimas. Além da onipresente cocaína, consome-se bastante o chamado special K, um anestésico de cavalo com efeito alucinógeno arrebatador. Outra droga que começa a despontar no Brasil é o crystal. Derivado da anfetamina, ele é muito comum nas festas gays. Nos Estados Unidos, onde o seu uso está amplamente disseminado, o crystal é alvo de campanhas antiaids por favorecer enormemente o sexo sem proteção. Um estudo publicado no Journal of Acquired Immune Deficiency Syndromes mostra que o crystal aumenta em 46% o risco de infecção pelo HIV. O álcool, por sua vez, quando consumido em excesso, quintuplica a probabilidade de um jovem fazer sexo sem proteção. Com a palavra a gaúcha C.A., secretária de 28 anos:

“O abuso de bebida na adolescência me levou a ter aids. Quando completei 18 anos, conheci um cara que adorava beber e eu passei a acompanhá-lo nas bebedeiras. A partir do nosso terceiro encontro, abandonei o preservativo. O álcool distorcia a minha visão da realidade. Dois meses depois do início do relacionamento, nós nos separamos. Sete anos mais tarde, por causa de uma febre alta que não cedia, descobri que estava com aids. Desconfio que peguei a doença daquele namorado. Mas não tenho certeza porque depois dele voltei a fazer sexo sem proteção. Infelizmente, existe a possibilidade de eu ter infectado outras pessoas sem saber”.

Um estudo conduzido pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo revela que 44% dos brasileiros recém-diagnosticados com HIV (14.000 pessoas ao ano, segundo as estatísticas oficiais) só descobrem a infecção com a manifestação dos primeiros sintomas da doença, como aconteceu com a secretária C.A. Em média, da infecção aos primeiros sinais da doença transcorrem sete anos. Ou seja, ao longo de todo esse período, homens e mulheres infectados podem pôr a vida de outras pessoas em risco – além da sua própria. Graças à evolução dos coquetéis de remédios, os jovens de hoje formam a primeira geração que não presenciou a devastação causada pelo HIV nos anos 80. “Para essa juventude, a aids parece ser uma realidade distante”, diz o sanitarista Alexandre Grangeiro, coordenador do trabalho da USP. “Além disso, como os retrovirais estão mais eficazes, os jovens superestimam os efeitos dos medicamentos e acreditam que podem tratar a aids como um mal crônico qualquer.” De fato, tais remédios têm tudo para garantir uma longa vida ao jovem A.K., o estudante de 21 anos que acaba de se descobrir portador do HIV. A “normalidade” que ele imagina, no entanto, é uma ilusão. Apesar de todos os progressos na área farmacêutica, conviver com o HIV não é tão simples assim. Os remédios só fazem efeito se tomados à risca, apresentam efeitos colaterais desagradáveis e a quantidade pode chegar a nove comprimidos diários. O melhor é não ter de tomá-los. Muito melhor é ter responsabilidade.

Fonte Veja

Fonte: G1

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13 Responses to Mesmo com informação, jovens fazem de tudo para pegar AIDS

  1. lilian disse:

    muito bom este assunto a ser comentado a todod os jovens do mundo inteiro. Sou professora e sei como é dificil trabalhar o assunto camisinha. Depois de um susto vem e arrependimento e dai já é tarde demais para voltar atras.
    Essas mensagens devem ser passadas adiante como alerta e concientização do que se está acontecendo por aí
    bjs lilian

  2. ton disse:

    Quando começo um namoro, antes de transar falo abertamente com a minha parceira sobre a importância de fazermos exames de sangue para detectar ou não algum problema. O diálogo é o melhor caminho. Se não tiver exame comprovando a negatividade, uso camisinha.

  3. Duvida disse:

    Como faço para mandar este post para meus filhos? não achei nenhuma referencia tipo, envie para seus amigos, ou coisa parecida.

  4. Regina disse:

    Acho que está tudo mudando e com consequencias trágicas, os adolescentes acham que tudo eh festa, não existem mais limites, os valores estão se extinguindo de maneira triste, daí a entrega como se a vida fosse uma eterna roleta russa, os pais não conseguem mais educar. Novelas como Rebelde poderiam ser usadas como exemplos de adolescentes que não gritam com os pais que não mentem, mas muito pelo contrário, o CARTOON NET WORK, tambem mostram desenhos que apresentam crianças más, etc… , não existem mais educação religiosa nas escolas.

  5. Michelle disse:

    Esta informação é muito importante e séria, porque demonstra a desvalorização da vida humana. Tomar cuidado com a sua propria vida e com a vida dos outros é uma obrigação civil. Eu sou a favor de uma punição, com tratamento psiquiatrico para jovens que tem este comportamento deliquente.

  6. Danila disse:

    è muito triste a mentalidade dos jovens de hoje ,desde que começei minha vida sexual aos 17 ,sempre usei camisinha,hoje tenho 27 namoro ja a 4 anos e nunca fizemos sexo sem proteção alem de prevenir doenças e prevenir a gravidez,não gosto de pilulas , sou super paranoica com proteção ,as vezes comento com alguem que nunca transei sem camisinha ,as pessoas não acreditam.Tem de haver responsabilidade mesmo se vc tiver apaixonado isso não pode subir a cabeça,vc pode estar apaixonado mas mesmo assim tem de pensar será que ele(ela) tem??

  7. Luciana disse:

    Acho importantíssimo que repassemos esse texto ao maior numero possível de pessoas para que essa prática dantesca seja reprimida!!!

    Estou chocada com o descaso a que chegamos, com a falta de amor próprio, ao próximo ou a vida!

    Divulguem a seus filhos, irmãos, pais, amigos, conhecidos e enfim… a todos.

    Vamos gritar se for preciso, exigir informação a todos, seja nas nas escolas, nos bares, padarias, esquinas e também nos nossos lares, vamos lutar por nós, pelo direito a vida, e ao amor!

  8. Rose disse:

    Não sei porque esse tipo de matéria não é mais divulgada , acho que isso além de serr compromisso dos pais teria que ser matéria para escola, pois afinal a prevenção e concientização teria um custo bem inferior ao governo do que o própio tratammento.

  9. karina disse:

    Nao so os jovens,como os mais velhos tambem,principalmente homens,nao posso falar q nunca fiz,mas ja fiz ,fikei neurotica,dpois fiz exame e tudo,deu tudo ok,mas os homens principalmente tem uma resistencia pra usar,e sinceramente parecem acreditar em papai noel,uma vez sai com um e falou pra eu ficar despreocupada q ele fazia exames e nao tinha nada,sera q se eu cedesse ele ia fazer sem?e se eu tivesse algo?eles nao ligam, e pior ja sao caras d mais d 30 anos?tem q se ligar ne?nao tem estrela na testa d ninguem,pra vc saber quem tem e quem nao tem,e fora os q nem sabem q estao com o virus,entao se cuidem,bjos!!!!

  10. Mendonça disse:

    Uma parte dos jovens atuais estão seguindo uma rotina de auto-destruição e as vêzes de destruição do próximo. Há indicações de que um egoísmo exacerbado parece ser a causa disso.

  11. Etoile disse:

    Simplesmente lamentável ver como pessoas esclarecidas podem ser tão irresponsáveis. Infelizmente não basta esclarecer, se as pessoas não querem se cuidar. E, pena que não se´possa colocar juízo na cabecinha vazia desses jovens.

  12. Alberto disse:

    O ser humano vive do impacto, ou seja, enquanto Cazuza caminhava aos trôpegos e até em cadeira de rodas, muitos jovens se precaviam. Concluindo: as palavras podem até convencer, mas o exemplo é mais forte, seja ele positivo ou negativo! No momento, o que vai prevalecer em cada ser é o instinto de sobrevivência!

  13. angelo disse:

    Grande parte dos homens que converso falam que tem problemas de ejacular com camisinha. Acho isto mais psicologico. Então seria interessante antes de eles quererem fazer sexo inseguro, procurar um aconselhamento psicologico e um sexólogo

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