Como fazer uma campanha política na era digital

5 janeiro, 2016

Quando se fala sobre marketing político digital o primeiro exemplo que vem à mente, mesmo no Brasil, é a campanha presidencial do Obama em 2008. Passados 8 anos, nenhum político brasileiro foi capaz de se destacar em campanhas políticas de sucesso na internet. Mas este cenário está prestes a mudar, segundo Marcelo Vitorino, consultor de marketing digital e professor em cursos de marketing político digital em São Paulo e Brasília.

Para Vitorino, a reforma política em vigor desde o ano passado e que vai impactar as eleições 2016, vai mudar como fazer campanha eleitoral, que será cada vez mais focada no planejamento digital.

Mudança na campanha eleitoral 2016

Dentre todas as alterações trazidas pela reforma, podemos elencar as principais: redução do tempo de televisão, de 45 para 30 dias; proibição das doações empresariais; limite de gastos em campanhas e; uma das mais relevantes, mas pouco comentadas, a permissão aos candidatos de se apresentarem publicamente a qualquer tempo, o que antes só era possível após as convenções partidárias, próximas às eleições.

Estes elementos mudam totalmente o planejamento de campanha eleitoral. No modelo anterior de marketing político havia muito dinheiro disponível, o que muda em 2016. Metade de todo o investimento era destinado à televisão e o tempo de exposição do candidato era limitado ao período eleitoral, inferior a 120 dias.

“Com pouco dinheiro, as campanhas precisam se reinventar e, desde já, colocar o carro na rua, dada a liberação da exposição dos candidatos. O investimento, que antes se concentrava em dois meses, e que na eleição 2016 será muito menor, precisará ser alocado em, no mínimo, seis meses. Será muito difícil para os candidatos investir em militância paga, o que era uma prática muito comum nas campanhas brasileiras”, afirma Vitorino.

Em seu curso de marketing político digital, Vitorino apresenta dados de uma pesquisa realizada por sua empresa que mostram que “o eleitor conectado não quer discursos ensaiados, conversa fiada ou frases motivacionais. Ele quer saber o que o político pensa sobre a descriminalização da maconha, da legislação sobre o aborto, da definição de família e de qualquer outra pauta que altere a vida da sociedade”.

O que o eleitor conhecerá na eleição 2016 será uma campanha política diferente. A dúvida é: quais candidatos vão entender as novas oportunidades e se elegerem?